terça-feira, 2 de março de 2010

Grupo descobre templo asteca debaixo de estacionamento no México

Construção foi erguida para adorar Ehecatl e tinha 14 m de diâmetro.Parte frontal do templo está enterrada sob prédio colonial histórico.
Da France Presse
Paraíso dos arqueólogos - Centro histórico da capital mexicana abriga diferentes épocas da História, uma sobre a outra (Foto: Ronaldo Schemidt / AFP 25-02-2010)

Um templo dedicado a Ehecatl (Deus do vento), parte da área sagrada da cidade asteca de Tenochtitlan - e onde podem ter sido realizados sacrifícios humanos -, foi encontrado debaixo de um estacionamento no centro histórico da capital mexicana.

Arqueólogos mexicanos fizeram a descoberta em dezembro passado na extinta cidade pré-hispânica, quando examinavam um prédio que até semanas atrás era o estacionamento de um hotel e onde os proprietários queriam fazer obras de ampliação.

Número 16 da Rua da Guatemala mistura pedras da construção do templo asteca, vestígios de um edifício colonial erguido no século 16 que veio abaixo no terremoto de 1985 e materiais de edifício que abrigava um estacionamento

"É uma das descobertas mais importantes dos últimos anos", disse à AFP Raúl Barrera, diretor do Programa de Arqueologia Urbana do Museu do Templo Maior (centro religioso de Tenochtitlán) e chefe das escavações.


Estrutura circular foi edificada entre 1486 e 1512 (AFP)


Atrás de um antigo portão de madeira verde, em uma movimentada rua da capital mexicana, um trator trabalhava abrindo um buraco no qual uma dezena de especialistas deixaram descoberta a parte traseira da estrutura circular, construída entre 1486 e 1512.

Semanas antes da descoberta, apenas um seleto grupo de pessoas teve acesso aos restos já descobertos de dois pilares superiores do templo, um deles quase intacto, assim como a base circular no centro da pirâmide, sobre a qual originalmente se erguia uma estrutura em forma cilíndrica.


De acordo com as referências históricas, o templo construído para adorar Ehecatl tinha 14 metros de diâmetro, um teto cônico de palha e uma entrada em forma de boca de serpente, relacionada ao deus Quetzalcoatl ("serpente emplumada", na língua nahuatl).

No entanto, a parte frontal do templo não poderá voltar à superfície porque se encontra enterrada sob um prédio colonial contíguo que atualmente sedia o centro cultural Espanha, considerado patrimônio histórico.

"A forma circular se relaciona com o redemoinho e, na cosmovisão (asteca), é uma alegoria, mas sua forma arredondada permite que o vento circule", acrescentou Barrera.

"As fontes históricas mencionam que nesse edifício eram realizados sacrifícios humanos", mas ainda não foram encontradas ossadas com marcas desta prática ou alguma representação em pintura que o confirme, afirmou Barrera ao visitar os trabalhos arqueológicos.

No número 16 da Rua da Guatemala, onde foi feita a nova descoberta, se misturam pedras da construção do templo asteca, vestígios de um edifício colonial erguido no século 16, que veio abaixo no grande terremoto de 1985, e materiais da construção que abrigou o estacionamento.

"Os restos do jogo de bola (mesoamericano) também estão sepultados na Rua da Guatemala, muito perto daqui, e ao norte estariam os restos do edifício que foi o Calmecac", a escola dos nobres astecas, explicou.

O templo de Ehecatl, relacionado com Tlaloc (Deus da chuva) e a agricultura, bem como o jogo de bola, vinculado à guerra, eram lugares sagrados para os astecas, que fundamentavam sua cultura nessas duas atividades.
O cenário nesse pequeno prédio é uma amostra do que acontece em cerca de 250 mil metros quadrados do centro histórico da capital mexicana, onde convivem diferentes épocas da História, uma sobre a outra, com uma dezena de edificações subterrâneas que formavam o centro sagrado de Tenochtitlan.

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