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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Teresina foi coberta pelo mar há mais de 270 milhões de anos, diz pesquisa

Estudo mostra a existência do mar no Parque Nacional da Floresta Fóssil.
É a primeira vez que cientistas encontram uma evidência direta.

Patrícia Andrade Do G1 PI

Paleontólogo exibe fóssil que caracteriza a existência do mar em Teresina (Foto: Patrícia Andrade/G1) 
Paleontólogo exibe fóssil que caracteriza a existência do mar em Teresina
 (Foto: Patrícia Andrade/G1)
 
 
Novos fósseis encontrados por pesquisadores no Parque Floresta Fóssil de Teresina, localizado na Zona Leste da cidade, dão indícios de que a capital piauiense já foi coberta pelo mar há mais de 270 milhões de anos. É a primeira vez que cientistas encontram uma evidência direta da existência do mar naquele local.

O paleontólogo e professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Juan Carlos Cisneros explica que os fósseis encontrados em Teresina datam da época em que os continentes estavam todos juntos e era chamado de Pangeia. “Nessa época o Brasil estava conectado com a África e esta com a Europa. Desta forma, podemos dizer que esse mesmo fóssil pode ser encontrado em outros vários continentes”, explica.

Os estromatólitos, nome técnico dado aos fósseis, são caracterizados por minerais acumulados pelas algas no fundo do mar e que ao longo do tempo vão se acumulando e formando uma espécie de recife. Cisneros explica que nenhum processo mineral que não envolva seres vivos faz isso. “A geologia por si só não faz esse tipo de estrutura. Elas são feitas por seres vivos que vão crescendo, se acumulando e para chegar a atingir uma estrutura como essa é preciso que tenha passado por muitos anos, o que vem a explicar a idade do fóssil”, diz.

Fóssil encontrado data da época em que os continentes estavam todos juntos e era chamado de Pangeia (Foto: Patrícia Andrade/G1) 
Fóssil encontrado data da época em que os continentes estavam todos juntos 
(Foto: Patrícia Andrade/G1)
 
Para o paleontólogo, a descoberta é importante porque revela que no Parque Floresta Fóssil ainda guarda muito do passado geológico de Teresina e precisa ser preservada pelo poder público. “Queremos chamar a atenção porque esse sítio paleontológico ainda tem muito potencial, muita pesquisa a ser feita e ainda não está sendo bem estudado”, destaca.

Algumas amostras dos fósseis foram levadas para laboratórios da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), instituição parceira na pesquisa juntamente com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS). O projeto, financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vem sendo desenvolvido desde o final de 2010 e se estenderá por mais um ano.

Paleontólogo exibe outros fósseis já encontrados no mesmo parque (Foto: Patrícia Andrade/G1) 
Paleontólogo exibe outros fósseis já encontrados
no mesmo parque (Foto: Patrícia Andrade/G1)
 
Tombado como patrimônio histórico da humanidade pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), o Parque Floresta Fóssil de Teresina é considerado o maior das Américas, segundo Cisneros. Os fósseis encontrados no local possuem mais de 250 milhões de anos, sendo que a principal característica do Parque é que os troncos se apresentam em posição de vida, ou seja, na vertical.

Ainda de acordo com o paleontólogo, a Prefeitura Municipal de Teresina está elaborando um projeto em parceria com o Iphan que irá adequar o parque à visitação da população.
 

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pegada de dinossauro é descoberta em 'quintal' da Nasa nos EUA

Réptil pré-histórico deixou a marca há 112 milhões de anos, diz cientista.
Nodossauro era herbívoro, de grande porte e tinha carapaça potente.

Do G1, em São Paulo

Boneco simulando nodossauro é colocado dentro de fóssil de pegada do animal pré-histórico (Foto: Reprodução/"The Washington Post") 
Boneco simulando nodossauro é colocado dentro de fóssil de pegada do animal pré-histórico (Foto: Reprodução/The Washington Post)
 
 
Uma pegada fossilizada foi encontrada no campus da agência espacial americana (Nasa) em Greenbelt, no estado de Maryland, nos Estados Unidos. A descoberta foi feita pelo pesquisador Ray Stanford, especialista em "caçar" dinossauros, segundo o site do jornal "The Washington Post".

As análises de Stanford apontam que a pegada pertence a um nodossauro, grande animal herbívoro e com uma potente carapaça. O dinossauro deixou a marca há 112 milhões de anos aproximadamente, aponta o "Washington Post".

A descoberta no "quintal" da Nasa ocorre em um local onde a agência mantém cerca de 7 mil cientistas, engenheiros e técnicos com os olhos "voltados" para o espaço.

Stanford acredita que o nodossauro estava correndo quando deixou a pegada, possivelmente fugindo de um predador. Na sexta-feira (17), ele levou uma comitiva de oficiais da Nasa para o local onde está a marca, afirma o site do jornal.

A pegada de 35 centímetros de largura causou frenesi entre os cientistas e levou o grupo a reconhecer que ela deve pertencer a um dinossauro.

Um especialista chamado por Stanford, David Weishampel, que atuou como consultor na produção do filme "Jurassic Park" em 1993 e escreveu o livro "Dinossauros da Costa Oeste", sobre a presença dos répteis pré-históricos nos EUA, disse que a pegada é real, de acordo com o "Washington Post".

"Como cientista, eu sou cético sobre coisas como isso. Mas ali tem todos os detalhes que você precisa. Tem as marcas dos dedos e uma impressão de calcanhar que está começando a se desgastar", disse ele para o site.

"Eu adoro o paradoxo", disse Stanford ao "Washington Post". "Cientistas espaciais andam por aqui, e estavam passando por onde este grande e pesado dinossauro caminhou há 112 milhões de anos. É tão poético."

terça-feira, 31 de julho de 2012

Dinossauros foram extintos de uma só vez, aponta estudo espanhol

Fóssil encontrado nos Pirineus mostrou indícios sobre extinção de animais.
Teoria contesta estudo que tratava fim dos dinossauros como gradual.

Da EFE

Restos de uma espécie de dinossauro encontrados nas montanhas dos Pirineus, uma cordilheira localizada na fronteira entre Espanha e França, reforça a hipótese de que a extinção destes animais foi repentina, como consequência do impacto de um asteroide sobre a Terra.

Um estudo publicado na revista científica "Paleo 3" mostra uma análise indicando que os saurópodes, dinossauros herbívoros de pesçoco e cauda longos e andar quadrúpede,- mantiveram sua diversidade até a extinção, ocorrida há 65 milhões de anos.

Dinossauro (Foto: Oscar Sanisidro/ICP) 
Ilustração acima mostra titanossauro, e abaixo os autores do estudo 
(Foto: Oscar Sanisidro/ICP)
 
A teoria contesta estudos que abordavam a extinção e a tratavam como um fato gradual, ou seja, que os dinossauros foram desaparecendo aos poucos, informou o Instituto Catalão de Paleontologia.

O trabalho de pesquisa, realizado por especialistas espanhóis da Universidade de Zaragoza e da Universidade Autônoma de Barcelona, junto com especialistas franceses e italianos, estudou ossos de fêmur achados em jazidas dos Pirineus, áreas que no final do Cretáceo faziam parte da chamada Ilha Ibero-Armoricana, um antigo arquipélago que existiu no sul da Europa.

Poucos lugares para exploração no mundo
Os autores destacam que a extinção dos dinossauros é um dos fatos mais relevantes da história da vida na Terra ao se relacionar com o impacto de um grande objeto extraterrestre.

No entanto, apontam, há poucos lugares no mundo com um registro fóssil de dinossauros que coincide com o limite do Cretáceo. Neste sentido, o artigo demonstra que os Pirineus constituem um lugar ideal para responder se o impacto do asteroide foi a causa da extinção dos dinossauros ou não.

A maior parte da informação registrada até a atualidade se baseava em dados do registro fóssil de dinossauros encontrados no oeste da América do Norte. Segundo os pesquisadores, é a primeira vez que se estudam fósseis de dinossauros saurópodes da Europa nos últimos milhões de anos do Cretáceo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Crânio de animal pré-histórico 'russo' é encontrado no Brasil

Do G1 no RS - O crânio de um ancestral dos mamíferos só encontrado antes em terras russas e africanas foi descoberto em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, anunciaram cientistas brasileiros nesta segunda-feira (16). O fóssil é o primeiro descoberto na região de um carnívoro terrestre que teria vivido na América do Sul durante a Era Paleozoica – entre 540 milhões e 250 milhões de anos atrás.

Os chamados "terápsidos" viveram há 260 milhões de anos e se alimentavam de pequenos herbívoros.
O crânio completo encontrado tem aproximadamente 32 centímetros de comprimento e foi visto pela primeira vez em dezembro de 2008 na região dos pampas, dentro de uma fazenda. Depois de três anos de análises, os cientistas conseguiram identificar a espécie do animal e a anunciaram nesta segunda.

Para os pesquisadores responsáveis pela descoberta, as comparações com os “parentes” russos e africanos permitem estimar que o carnívoro brasileiro tinha 3 metros de extensão, pesando mais do que um leão.

 O crânio encontrado na região dos pampas, no RS.
(Foto: Cortesia Juan Carlos Cisneros / Divulgação)

 
O nome científico do bicho (Pampaphoneus biccai) significa “matador dos pampas”, explica um dos autores da descoberta, o pesquisador Juan Carlos Cisneros, da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

O animal pertence a um grupo particular de terápsidos conhecidos como "dinocefálios". Este grupo de animais já extintos também recebeu um apelido ameaçador na tradução do latim: “cabeça terrível”.

A bravura está ligada aos ossos grossos dos dinocefálios, reforçados por rugas e cristais no crânio. “Essa característica era voltada para proteção. Algumas espécies usavam a cabeça para brigar, como fazem as cabras hoje em dia”, diz o pesquisador.

Mesmo bravos, a maior parte dos dinocefálios era herbívora. As poucas espécies carnívoras mediam até 6 metros e eram os maiores predadores terrestres na época em que P. biccai viveu.

“Carnívoros são raros. Até hoje, se você vê um documentário na África, vai ver um monte de zebra, mas poucos leões”, diz Cisneros. “Eles são limitados pelo volume de alimento disponível, há sempre menos carnívoros do que herbívoros.

Caça a fósseis
O achado foi divulgado na revista da Academia de Ciências Americana, a PNAS, nesta segunda. Cisneros já esperava encontrar fósseis no Rio Grande do Sul que fossem parecidos com os de outras partes do globo.

“A gente tinha uma suspeita de que esse animal pudesse existir no Brasil”, afirma.

Entre 2008 e 2009, a equipe de Cisneros visitou 50 localidades no país, procurando por sítios paleontológicos relevantes. Eles escolheram dez lugares, sendo que um deles rendeu a descoberta de outro animal pré-histórico, mas herbívoro: o Tiarajudens eccentricus, um terápsido com dentes no céu da boca (palato), cujo fóssil também foi achado em São Gabriel. 
 
“Procurávamos sempre por lugares sem vegetação e, dependendo das cores observadas e da erosão no local, nós avaliamos as chances de encontrar fósseis ou não”, explica o especialista. “Essa área dos pampas gaúchos apresenta grande potencial, há rochas sedimentares ali, que cobrem os restos mortais dos seres vivos com areia e lama.”

 Ilustração mostra como seria o 'Pampaphoneus biccai'. 
(Crédito: Voltaire Neto / Divulgação)

 
Passeio pela Pangeia





Cisneros defende que o estudo é uma prova da grande mobilidade dos vertebrados terrestres por todos os cantos do supercontinente Pangeia, que unia, no passado, todos os continentes atuais.

O fóssil é muito parecido com as espécies encontradas atualmente na Rússia, no Cazaquistão, na China e na África do Sul. Com a versão brasileira deste tipo de animal, especialistas acreditavam que uma distribuição mais cosmopolita dos terápsidos pode ter ocorrido muito antes do que se imaginava.

Até então, os cientistas afirmavam que este tipo de interação teria ocorrido somente mais tarde, durante o período Triássico – entre cerca de 250 milhões e 200 milhões de anos atrás.

'Pais' dos mamíferos
Apesar de serem muito parecidos com répteis, os terápsidos se encontram mais próximos dos mamíferos na arvore genealógica dos animais pré-históricos. Isso os distancia também das comparações com os dinossauros.

Os mamíferos atuais possuem ossos dentro do ouvido que participam da audição, além de dentes mais complexos, cauda menor e uma postura mais ereta. No caso de P. biccai, a semelhança com répteis aparece somente quando se leva em conta a forma como os dentes se encaixavam: os de cima entre os debaixo, como ocorre em uma boca de jacaré.

Paleontólogos apresentam fóssil do 'Matador dos Pampas' no RS



Fóssil encontrado no RS foi apresentado nesta terça
(Foto: Cadinho Andrade/Divulgação UFRGS)
 
Do G1 no RS - O fóssil do crânio do Pampaphoneus Biccai, uma nova espécie encontrada em São Gabriel, na região sudoeste do Rio Grande do Sul, foi oficialmente apresentado na manhã desta terça-feira (17) por uma equipe internacional de paleontólogos no Museu de Paleontologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A peça foi descoberta em 2008, durante escavações feitas na região. Desde então, passou por trabalhos de limpeza e restauração.

O nome Pampaphoneus significa “Matador dos Pampas” em grego. Já a espécie, Biccai, é uma referência a José Bicca, o proprietário da fazenda onde o fóssil foi encontrado.

O animal era um dinocefálio, um tipo de terápsido (réptil mamaliforme), parente distante dos mamíferos. Segundo os pesquisadores, o predador viveu no Período Permiano (mais de 260 milhões de anos atrás) da Era Paleozoica, media cerca de três metros e pesava aproximadamente 300 quilos.

Os paleontólogos ressaltaram a importância da descoberta, destacando o fato de ser o primeiro carnívoro do período a ser achado na América do Sul, além de apresentar uma semelhança com dinocefálios carnívoros encontrados na Rússia e na África do Sul. 

A descoberta será publicada esta semana na Revista americana Proceedings of The National Academy of Sciences, uma das mais conceituadas do mundo científico.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pesquisadores descobrem data exata de 'megaextinção' na Terra

O cientista Charles Henderson (meio) retira  amostras no sul da China (Foto: Charles Henderson)

Do G1 em São Paulo - Há mais ou menos 250 milhões de anos, 95% de toda a vida marinha e 70% da terrestre do planeta foram extintas. Agora, um grupo de cientistas americanos e chineses conseguiram dar a data exata dessa megaextinção: ela ocorreu há 252,38 milhões de anos.
E mais: todo o processo durou menos de 200 mil anos. O pico, menos de 20 mil.
É a primeira vez que se chega tão perto de uma data para esse evento e também que se revela a duração dele. Conhecida como “extinção do período Permiano”, ela ocorreu na época em que a Terra tinha apenas um supercontinente, chamado de Pangeia.
Segundo os pesquisadores, o “gatilho” do evento teria sido um rápido aquecimento global, causado pela liberação de dióxido de carbono por enormes erupções vulcânicas ocorridas no que hoje é o norte da Rússia.

Os resultados foram apresentados na edição desta semana da revista “Science”.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Paleontólogos acham cemitério de baleias pré-históricas no Chile

 Da BBC
Paleontólogos descobriram um grande cemitério de baleias pré-históricas no deserto do Atacama, no norte do Chile.    Oito fósseis de mais de sete milhões de anos foram achados no local. Assista ao vídeo.
O diretor do sítio, John Vega, afirma que em apenas 15 dias foram descobertas quase 15 baleias.  Os cientistas dizem que ossos fossilizados pertencem a antepassados antigos das baleias modernas. Restos de tubarões, golfinhos e focas também foram encontrados.

Paleontólogos acham cemitério de baleias pré-históricas no Chile (Foto: BBC)

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Primeira caça das Américas ocorreu há 13.800 anos, indica estudo

 Costela de mastodonte de 13.800 anos com um pedaço de osso, usado como arma, fincado. (Foto: Texas A&M University)

Do G1 em São Paulo - Ossos de um mastodonte encontrados no estado norte-americano de Washington indicam não apenas que humanos chegaram no continente bem antes do que os cientistas imaginavam, mas também que esses animais começaram a ser caçados mais cedo. Os resultados foram apresentados na revista Science desta sexta-feira (21).
O esqueleto de 13.800 anos também mostra que o animal foi abatido por humanos usando armas feitas de ossos também de mastodonte. Um dos projéteis foi encontrado fincado na costela do exemplar.
Os pesquisadores acreditam que o fragmento de osso encontrado na costela do mastodonte era a ponta de uma arma maior, que teria sido lançada por um caçador.

Radiografia da costela mostra detalhes do osso fincado. (Foto: Texas A&M University)

A ossada foi encontrada nos anos 1970 e tem sido estudada por diversos pesquisadores desde então. O trabalho desta sexta foi liderado pelo geoarqueólogo Michael Waters, da Universidade do Texas A&M. Ele confirmou que os ossos têm aproximadamente 13.800 anos de idade e que eles são mesmo de um mastodonte.
saiba mais
Os resultados têm uma implicação importante. Antes, acreditava-se que os primeiros humanos a caçar com armas feitas de ossos na região eram da chamada “cultura Clóvis” – também os primeiros a ocupar a América. A ferramenta de osso encontrada fincada no mastodonte, no entanto, é pelo menos 800 anos mais velha do que essa população.
Segundo os especialistas, o achado também indica uma pressão a mais que pode ter levado à extinção desses grandes animais – que já estava a caminho nessa época e culminou há 12 mil anos.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Descobertos no Tibete fósseis de grandes mamíferos da Idade de Gelo

Da Agência EFE - Alguns dos antepassados de grandes mamíferos como o rinoceronte lanudo, animal característico da Idade de Gelo, foram encontrados na bacia tibetana de Zanda, situada na cordilheira do Himalaia, e sugerem que a primeira evolução destes animais pôde ter acontecido nesta região geográfica.
Segundo informa nesta segunda-feira a imprensa local, a equipe responsável pela descoberta, comandada pelos pesquisadores Deng Tao e Wang Xiaoming, pertencentes à Academia de Ciências Sociais da China, assegurou que o animal achado pôde ter vivido há 3,7 milhões de anos.    Se a datação estiver correta, este antepassado do rinoceronte lanudo, chamado Coelodonta thibetana, mostraria as primeiras adaptações ao frio em um animal destas características, tais como o pelo longo e as estruturas para varrer a neve.


Ancestral de rinoceronte usava chifre para revirar a neve e encontrar comida.
(Foto: Julie Naylor / Science)

Segundo os cientistas, este animal se situa em algum ponto entre o Plioceno médio (há 3,7 milhões de anos), era na qual apareceu o primeiro hominídeo reconhecível, o Australopiteco, e o Pleistoceno (há 2,8 milhões de anos), período no qual numerosas espécies se extinguiram devido às glaciações.

Após a descoberta deste exemplar de rinoceronte lanudo, os pesquisadores continuam com os trabalhos neste campo, já que se acredita que o animal poderia não ser o único mamífero adaptado à esta era na região tibetana.

Segundo Deng Tao, poderia se afirmar que o rinoceronte lanudo, da mesma forma que outros como o mamute lanudo, "evoluíram pela primeira vez no Tibete", hipótese que desloca algumas anteriores, as quais afirmavam que esta fauna se originou em zonas árticas.

No entanto, até o momento não foram encontrados restos que permitam afirmar de forma conclusiva qual seria a origem destas espécies já que, embora a descoberta feita no Tibete mostre os representantes mais primitivos, se sabe que existem vários períodos anteriores, mas, por enquanto, com poucas evidências.

sábado, 25 de junho de 2011

Osso de 13 mil anos contém arte pré-histórica, confirma estudo

Pedaço de mamute ou mastodonte apresenta marcas de desenhos.Autenticidade da gravura foi anuciada em revista de arqueologia.

Do G1, em São Paulo - Um estudo divulgado pelo "Journal of Archaelogical Science", publicação especializada em arqueologia, confirmou a autenticidade das marcas artísticas contidas em um osso de 13 mil anos de idade, encontrado em Vero Beach, no estado norte-americano da Flórida.

A confirmação foi feita por cientistas do Instituto Smithsonian e da Universidade da Flórida, que identificaram o desenho de um mamute ou um mastodonte, que foi revelado após o "caçador de fósseis" James Kennedy, responsável por encontrar o fragmento, ter limpado o material.   Quando se deu conta das inscrições, Kennedy entrou em contato com outros cientistas. O desenho tem 7,6 centímetros de comprimento e 4,4 centímetros de altura. O osso também seria parte de um animal de grande porte - provavelmente um mamute ou mastodonte caçado pelos "artistas".

Gravura de um mamute ou mastodonte é mostrada na imagem.
(Foto: Chip Clark / Instituto Smithsonian)

A peça está em exposição no Museu de História Natural da Flórida, localizado na cidade de Gainsville. Os especialistas acreditam que esta é a única e mais antiga arte a representar um mamífero do grupo Proboscidea - ordem de animais que reúne os mamutes e mastodontes.

Para os pesquisadores o achado prova que os habitantes da América do Norte durante a Era do Gelo representavam artisticamente os animais que caçavam. Seriam os últimos anos de vida desses animais no lado leste dos Estados Unidos, segundo os cientistas.

Foram usados microscópios ópticos e eletrônicos na análise da peça para identificar possíveis falhas nas linhas marcadas no osso, que poderiam invalidar a antiguidade das gravuras.


Osso está exposto no Museu de História Natual da Flórida.
 (Foto: Chip Clark / Instituto Smithsonian)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Scoperto in Perù il fossile di una balena predatrice

"Leviathan melvillei" battezzata in onore autore "Moby Dick"

Londra - Una balena predatrice che cacciava altri cetacei: il fossile scoperto nel deserto peruviano è stato appropriatamente battezzata in onore di Herman Melville, l’autore di Moby Dick.

Come riporta la rivista scientifica britannica Nature, il fossile è stato rinvenuto da un team internazionale di ricercatori diretti da Olivier Lambert della Museum National d’Histoire Naturelle di Parigi e dall’italiano Giovanni Bianucci dell’università di Pisa.

Il capodoglio (Physeter macrocephalus) è il più grande animale oggi vivente munito di denti, misurando fino a 18 metri di lunghezza. Ma di fatto è un “gigante buono” perché mangia calamari e altri cibi che il mare gli offre e che lui risucchia nella sua bocca.

Di tutt’altra pasta doveva essere il “Moby Dick” del Perù, infatti la specie estinta di capidoglio aveva dei denti giganti che di certo gli servivano a predare altri grandi abitanti del mare, probabilmente balene. Lungo circa 13 metri (nella ricostruzione eseguita dai ricercatori), Leviathan melvillei doveva avere denti giganti: lunghi 36 centimetri e con un diametro di 12 centimetri doveva essere il terrore dei mari; eppure ha trovato la morte, per mano non di Achab certo, ma probabilmente a causa di cambiamenti delle temperature oceaniche che divennero troppo basse per la sua sopravvivenza.

L’esistenza di un cetaceo simile era stata suggerita da numerosi ritrovamenti fossili succedutisi negli anni - soprattutto di denti fossili isolati - ma è la prima volta che viene recuperato un cranio quasi completo, il che permette di fare luce sulle caratteristiche dell’animale.

Video Il mostro marino che mangiava le balene

http://www.lastampa.it/

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Cientistas descobrem no Marrocos 1,5 mil fósseis de invertebrados

Águas calmas e condições químicas favoráveis ajudaram a preservar os fósseis. (Foto: Nature/Reprodução)


Animais marinhos viveram há mais de 470 milhões de anos.  Sem ossos, esses animais deixaram poucas 'pistas' para estudiosos.

Do G1, em São Paulo - Paleontólogos da Universidade de Yale, nos EUA, descobriram mais de 1,5 mil fósseis de animais marinhos invertebrados que viveram entre 480 e 472 milhões de anos atrás, durante o período Ordoviciano.

As descobertas, feitas no Marrocos, ajudarão a entender como funcionavam os ecossistemas nessa época, quando houve uma grande diversificação das espécies e a maioria da vida na Terra ainda era encontrada nos oceanos.

Muitos dos fósseis são completos e incluem esponjas, vermes anelídeos, moluscos e caranguejos-ferradura. Como não possuíam ossos, esses animais deixaram poucas pistas para os paleontólogos. No Marrocos, águas calmas e condições químicas favoráveis contribuíram para a preservação das criaturas.
O achado foi publicado na última edição da revista científica "Nature".

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Fóssil de superpredador de 238 milhões de anos é encontrado no RS

Iberê Thenório - Do G1, em São Paulo - Paleontólogos brasileiros encontraram no Rio Grande do Sul um esqueleto quase completo do tecodonte superpredador Prestosuchus chiniquensis, que viveu há cerca de 238 milhões de anos. O animal, que lembra uma mistura de cachorro com dinossauro, media cerca de sete metros de comprimento, tinha 1,6 metros de altura, pesava novecentos quilos e andava sobre as quatro patas.

Os ossos foram encontrados por no município de Dona Francisca, na região central do estado, por pesquisadores da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). O local é rico em fósseis do período triássico, entre 200 e 250 milhões de anos atrás, quando os continentes ainda não haviam se separado.


Fóssil do tecodonte foi protegido por gesso e será enviado a um museu. (Foto: Ulbra/Divulgação)
 
Segundo o paleontólogo Sérgio Cabreira, um dos autores da descoberta, o fóssil será importante para ajudar a identificar outros ossos dispersos que foram achados na região. "Há ossos dos pés, das mãos, escápulas, mas não há uma indicação correta [sobre a espécie a que pertencem]", afirma o pesquisador.    De acordo com Cabreira, essa espécie de tecodonte foi identificada no início do século XX e seus esqueletos só foram encontrados no Brasil. Resquícios de parentes do Prestosuchus chiniquensis foram achados na Argentina e nos Estados Unidos, mas são menores.

Lagoas
Os ossos do tecodonte foram encontrados no início do ano, quando a chuva retirou a cobertura de terra que os escondia. Trinta dias foram necessários para escavar e isolar o fóssil. Protegido por uma grossa camada de gesso, o conjunto será levado para o Museu de Ciências Naturais da Ulbra.  Nesse sítio arqueológico já foram descobertos outros 11 materiais que podem ser de tecodontes, informa o paleontólogo. Ele afirma que no local poderia haver lagoas muito procuradas por herbívoros, atraindo predadores. "Nas proximidades desses lagos ficariam os carnívoros, que faziam emboscadas", explica.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Novo fóssil lança luz sobre origem dos grandes macacos e do homem


Fósseis da nova espécie encontrados na Catalunha (Foto: PNAS)


Espanhóis analisaram anatomia de primata com 12 milhões de anos.Achado apoiaria hipótese de origem eurasiática dos nossos parentes.

Do G1, em São Paulo
Pesquisadores liderados por Salvador Moyà-Solà, da Universidade Autônoma de Barcelona, descobriram e descreveram uma nova espécie de primata extinto que pode trazer nossos dados sobre a origem dos grandes macacos (orangotangos, gorilas e chimpanzés) e do homem. O bicho de 12 milhões de anos, batizado de Anoiapithecus brevirostris, tem características anatômicas que o ligam, em parte, aos ancestrais diretos dos grandes macacos, mas também a primatas menores e mais primitivos. Uma vez que o animal foi achado na Espanha, a descoberta daria mais peso à hipótese de que os grandes macacos surgiram na Europa e na Ásia e só mais tarde teriam ido para a África. A análise está na revista científica americana "PNAS".

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fósseis de herbívoros gigantes em rio argentino


A seca inesperada do rio Salado, no norte da Argentina, revelou verdadeiros tesouros fósseis. Os residentes de Roque Perez, a 135 quilómetros de Buenos Aires encontraram ossadas de gigantes armadilhos e os investigadores estão agora a analisar os achados que não param de se “reproduzir” nas margens secas do rio.

Euronews.pt

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Fósseis encontrados na Argentina são elo perdido dos dinossauros


Foto: AFP: O elo perdido, batizado de 'Panphagia protos', foi considerado a ligação primitiva entre os bípedes...

BUENOS AIRES (AFP) - Fósseis descobertos na Argentina, pertecentes a um dinossauro onívoro, representam o ancestral mais antigo dos herbívoros gigantes, e estão sendo considerados um elo perdido com os carnívoros, revelou nesta segunda-feira uma fonte científica. "Trata-se de um onívoro, ou seja, de um ser que comia de tudo, que é um elo perdido entre os dinossauros carnívoros e os herbívoros gigantes de quatro patas", explicou Oscar Alcober, diretor do Museu de Ciências Naturais da província de San Juan, 1.200 quilômetros a oeste de Buenos Aires. Segundo Alcober, "esta é uma peça muito importante do quebra-cabeça sobre a origem dos dinossauros".

O cientista faz parte da expedição que, três anos atrás, encontrou os restos no Parque Ischigualasto-Vale da Lua, ao norte da capital de San Juan, no noroeste do país, onde foram realizadas as pesquisas para determinar sua natureza.

A notícia foi divulgada nesta segunda-feira por Alcober e Ricardo Martínez, chefe da área paleontológica do Museu, ao mesmo tempo em que foi publicada na revista científica virtual Plos One, dos Estados Unidos. "Decidimos divulgá-lo assim para contar com o aval da comunidade científica. E escolhemos a revista Plos One por ser um veículo 'online', o que favorece a democratização das ciências", afirmou Alcober. Alcober e Martínez coordenaram a expedição que descobriu os fósseis, em 2006.

O elo perdido, batizado de 'Panphagia protos', foi considerado a ligação primitiva entre os bípedes carnívoros e os gigantes herbívoros de quatro patas, denominados saurópodes, que viveram nos períodos jurássico e cretáceo da era mesozóica. "Em grego, Panphagia significa 'que come de tudo', e protos significa 'o primeiro'", indicou o cientista. Ao contrário de seus antepassados, o 'Panphagia protos', que tinha 1,5 metro de comprimento e 30 centímetros de altura, era onívoro, dono de uma mandíbula adaptada para se alimentar tanto de carne quanto de vegetais."Quando estudamos sua mandíbula, vimos que era mais frágil, e que seus dentes não eram como os dos carnívoros tradicionais", disse Alcober.A estrutura óssea do onívoro reflete também uma transição entre as duas espécies.

O diretor do Museu de Ciências Naturais indicou ainda que a descoberta permitiu situar em 35 milhões de anos antes a origem dos saurópodes, que "antes havia sido estabelecida em 205 milhões de anos atrás, e agora descobrimos que é de 240 milhões de anos"."Tivemos a sorte de achar quase 45% do esqueleto e uma variedade de todas as partes, o que tornou a reconstrução bastante fácil e muito rica em informação, porque às vezes só encontramos um osso", acrecentou Alcober.A expedição científica foi financiada pelo canal de televisão japonês TV Tokio, que filmou a escavação dos fósseis no parque Ischigualasto, conhecido como 'berço dos dinossauros'."Os japoneses sonhavam com a descoberta de um grande dinossauro, como o Argentinosaurus. Buscavam algo grande, não imaginavam que algo valioso também poderia ser pequenino", estimou.

A Argentina tem atraído a atenção do mundo científico desde que se tornou um verdadeiro "Parque dos Dinossauros", no fim dos anos 80, quando foram encontrados na província de Neuquén (sudoeste) restos do Argentinosaurus Huinculensis, o maior herbívoro conhecido, de 40 metros de comprimento.Em 1993, foram encontrados os fósseis do Giganotosaurus Carolinii, maior dinossauro carnívoro do mundo, entre outras dezenas de descobertas em sítios arqueológicos ainda em processo de exploração.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pior extinção da história traz lição sobre aquecimento global


Existe uma linha tênue que separa o alarmismo, o gosto midiático pela catástrofe, do alerta ponderado e necessário. Pode ser que, para muita gente, essa linha tenha sido cruzada – para o lado errado, o do exagero pelo exagero – no debate recente sobre o aquecimento global. O reflexo de atribuir qualquer catástrofe climática ao fenômeno, além de discutível do ponto de vista científico, decerto deixou ao menos algumas pessoas anestesiadas, e até céticas, diante da ameaça. Meu ponto aqui não é lançar dúvidas sobre a existência do fenômeno – acho difícil discordar que ele existe, é grave e tem participação humana, provavelmente majoritária. Não dá para minimizar as incertezas em relação a seus efeitos, já que ainda sabemos relativamente pouco sobre como o sistema climático funciona. O que dá para fazer, no entanto, é voltar nosso olhar para o passado da Terra e ver o que aconteceu quando uma forma descontrolada de aquecimento global tomou conta do planeta. E o cenário, nesse caso, não é nada agradável.

É difícil de evitar o tom apocalíptico ao descrever o que houve há 251 milhões de anos. Os paleontólogos já apelidaram essa forma amalucada de mudança climática de “a Grande Morte”, “a mãe de todas as extinções”, e por aí vai. Estamos falando da extinção em massa do período Permiano, a pior de todas as chamadas Big Five, como são conhecidos os cinco grandes desastres da história da vida na Terra. Ainda há buracos consideráveis no nosso conhecimento do desastre do Permiano, mas o quadro que está virando consenso entre os pesquisadores tem alguns pontos em comum: o sumiço de cerca de 90% das espécies vivas no mar e em terra firme; a ação de vulcões; e um efeito-dominó que envolveu um aumento cada vez mais acentuado da temperatura do globo.

O assustador é que, pelo visto, todas as causas da mortandade estão ligadas a fenômenos internos do nosso planeta, ao contrário da extinção que mandou os dinos para o céu dos lagartões bem mais tarde, há 65 milhões de anos – nesse caso, a culpa quase certamente é da queda de um meteorito com uns 10 km de diâmetro. Pelo que sabemos, nenhum tipo de bombardeio cósmico foi necessário para engendrar a catástrofe do Permiano, embora alguns cientistas tenham chegado a identificar a suposta cratera de impacto ligada à Grande Morte.


Gorgonopsiano

De volta para o passado
O mundo do Permiano era quase tão complexo e cheio de vida quanto o nosso. Embora os vertebrados voadores não existissem – pterossauros, aves e morcegos são “invenções” bem posteriores –, a vida em terra comportava uma multidão de répteis e anfíbios. Alguns dos lagartões eram aparentados aos ancestrais dos mamíferos e caçavam com a ajuda de dentes de sabre, como os gorgonopsianos, que você conferir na imagem ao lado. Outros eram herbívoros grandalhões e lerdos. Insetos voejavam pelas florestas, e o mar estava coalhado de recifes de coral bem diferentes dos atuais, por onde nadavam peixes esquisitões e cefalópodes (membro do grupo dos polvos e lulas) com casca, como os caramujos.

Ainda há dúvidas sobre quanto tempo foi necessário para virar esse mundo estranho e bonito de ponta-cabeça. Nas camadas de rocha que os paleontólogos estudam para determinar a sucessão de animais e plantas fósseis, o fenômeno parece instantâneo. Mas, numa época tão remota, o que a gente costuma chamar de “instante geológico” pode ter se estendido por até 500 mil anos, período que não passa de um espirro diante dos 4,5 bilhões de história da Terra.

Ainda há dúvidas sobre quanto tempo foi necessário para virar esse mundo estranho e bonito de ponta-cabeça. Nas camadas de rocha que os paleontólogos estudam para determinar a sucessão de animais e plantas fósseis, o fenômeno parece instantâneo. Mas, numa época tão remota, o que a gente costuma chamar de “instante geológico” pode ter se estendido por até 500 mil anos, período que não passa de um espirro diante dos 4,5 bilhões de história da Terra.

Seja como for, os principais concorrentes a iniciadores do desastre são imensos derrames de lava, os chamados traps siberianos, no leste da Rússia. Apesar da semelhança com a palavra inglesa para “armadilha”, trap na verdade é um termo sueco que quer dizer “escadaria”, por causa do formato que resulta desse tipo de erupção vulcânica. Os traps da Sibéria cobriram nada menos que 4 milhões de quilômetros quadrados, ou quase meio Brasil, com material vulcânico, a uma espessura que variava de 400 m a 3 km.

Uma erupção desse tamanho tem efeitos paradoxais. Primeiro, lança no ar quantidades estratosféricas de material particulado e dióxido de enxofre, o que escurece os céus do planeta, impede a passagem da luz solar e leva a uma espécie de inverno global prolongado. No entanto, esse é só o resultado de curto prazo. Quando essa sujeira é “lavada” pelas chuvas (que se tornam ácidas, destruindo a vegetação), o que realmente persiste na atmosfera por décadas é o dióxido de carbono que também foi emitido pela erupção. Caso você não esteja lembrado, essa substância, também conhecida como gás carbônico, é a principal responsável por reter calor na superfície da Terra.

Calor sustentável
O aquecimento global ligado apenas ao fenômeno vulcânico já seria suficientemente ruim. O paleontólogo britânico Michael Benton, da Universidade de Bristol, sugere que ele pode ter chegado aos 6 graus Celsius em seu livro “When life nearly died” (Quando a vida quase morreu). O problema é que o calor parece ter dado um jeito de se alimentar a si mesmo.

A pista a esse respeito está numa estranha “assinatura” do elemento químico carbono presente nas rochas do fim do Permiano. Os seres vivos se parecem um pouco com crianças mimadas quando o assunto é carbono: eles preferem muito mais “comer” uma variante do elemento do que outra. O “cardápio” de carbono preferido pelos seres vivos, que adquirem o elemento (direta ou indiretamente) por meio da fotossíntese é o carbono-12, forma “leve” do átomo. Isso significa que, normalmente, as rochas acabam ficando com quantidade relativamente elevada de carbono-13, mais “pesado”.

Acontece que as rochas do Permiano têm uma quantidade muito maior que a normal de carbono-12. Isso poderia significar que a fotossíntese sofreu um colapso nessa época, o que até faz sentido, mas apenas isso não seria suficiente para explicar as quantidades muito elevadas de carbono-12 nas rochas. A explicação mais provável é que o calor ligado ao vulcanismo foi tão forte que acabou liberando, do fundo do mar, imensas quantidades de metano, um gás-estufa muito poderoso originalmente produzido por bactérias e, por isso, enriquecido com carbono-12. Esse metano estava preso em “jaulas” de gelo – água congelada em cujo interior estava o gás – e teria subido com violência para a superfície.

Aí é que o bicho pegou de vez. Primeiro, o metano teria escapado em bolhas enormes, com grande violência, tornando trechos da água do mar e da atmosfera irrespiráveis por curtos períodos. O pior, no entanto, foi o que aconteceu depois. O metano tende a se combinar rapidamente com o oxigênio da água e do ar, produzindo mais gás carbônico. O processo todo não só diminui a oxigenação atmosférica e marinha como também torna a água dos oceanos mais ácida e menos propícia para os invertebrados marinhos que precisam de um ambiente alcalino para formar suas conchas ou invólucros. E, claro, mais dióxido de carbono significa mais calor – e, quanto mais quente a água, menos oxigênio se dissolve nela.

Em condições normais, as plantas poderiam retirar o dióxido de carbono do ar e da água por meio da fotossíntese, mas a chuva ácida ligada ao vulcanismo parece ter matado tantos vegetais que eles simplesmente não agüentaram o tronco. Vastas áreas de solo fértil, sem vegetação que o segurasse, foram varridas pela erosão, restando quase só rocha nua. No fim das contas, o ar se tornou tão irrespirável que viver ao nível do mar equivalia a escalar uma montanha de 4.200 m, compara o paleontólogo Peter Ward, da Universidade de Washington (Seattle, EUA).

Trilobita

Contagem de corpos

A comparação entre as espécies presentes antes e depois do evento de extinção é de deixar qualquer um acabrunhado. Em terra, nada menos do que 95% dos fósseis correspondem ao réptil herbívoro Lystrosaurus, vagamente parecido com um porco. No mar, recifes florescentes de vida são substituídos por duas ou três espécies de marisco – e mais nada. Os trilobitas (exemplares dos quais você pode ver acima), senhores dos mares por tantos milhões de anos, também partiram para sempre depois dessa. Ecossistemas inteiros deixaram de existir “instantaneamente” (ao menos do ponto de vista geológico). O mundo só foi recuperar algo equivalente à complexidade ecológica e à diversidade de espécies que existia antes da catástrofe cerca de 30 milhões de anos depois (para alguns, até 100 milhões de anos depois).


Ufa. Eu não sei quanto a você, mas estudar toda essa gama macabra de conexões me deixa zonzo. A primeira lição a ser tirada da hecatombe tem a ver, claro, com a sensação de aparente segurança que o ambiente do nosso planetinha nos dá. Lamento dizer que se trata mesmo de mera ilusão: a Terra é extremamente favorável à vida, mas também pode ser impiedosa em seus processos geológicos de longo prazo, de forma que nenhuma espécie, por mais bem adaptada e versátil que seja, pode se considerar a salvo da aniquilação.


Fora isso, no entanto, creio que o tema mais importante nos leva de volta aos intermináveis debates sobre o aquecimento global mencionados lá em cima. O fato de a humanidade ainda não ter lançado gás carbônico suficiente na atmosfera para imitar os vulcões das traps siberianas não me parece motivo para relaxo. O que a extinção do Permiano mostra, se os modelos atuais estiverem corretos, é o perigo de iniciar ricochetes imprevisíveis na maneira como a biosfera funciona caso uma variável importante – no caso, a temperatura – for perturbada de forma significativa. O fato de não sabermos com certeza quais serão esses ricochetes não é razão para deixar de se precaver. Ou alguém aí quer arriscar?

Por Reinaldo José Lopes - Visões da Vida Blog

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Estudo diz que Américas tiveram dois fluxos de imigrantes


Descoberta do crânio de Luzia em MG contribui para teoria

Um estudo elaborado a partir da análise do DNA de 70 mil indivíduos – 1.338 originários do Brasil – afirma que a ocupação do continente americano foi feita por pelo menos dois movimentos migratórios. O estudo, publicado nesta quinta-feira na revista eletrônica Current Biology, diz que os primeiros habitantes das Américas falavam idiomas diversos e seguiram diferentes rotas. A nova pesquisa vai contra o resultado de outro estudo publicado há quase oito meses na revista American Journal of Physical Antropology. "Antigamente, acreditava-se na hipótese de que o povoamento das Américas fosse resultado de apenas uma migração", disse à BBC Brasil o geneticista da Universidade de Pavia, no norte da Itália, Antonio Torroni. "Eu mesmo defendia essa hipótese." "Nosso estudo revela que foram feitos dois caminhos quase concomitantes de imigração, que levaram a espalhar os paleoíndios."

Duas rotas
De acordo com Torroni, ambos os fluxos migraram da Beríngia – zona atualmente submersa entre o Alasca e a Sibéria que ligava os continentes americano e asiático – entre 15 mil e 17 mil anos atrás. "Foram usadas duas rotas: uma pela costa do Pacífico, que ajudou também a colonizar a América do Sul, e outra que provavelmente teve significativo impacto na colonização da América do Norte." Nesse período de 2 mil anos, Torroni acredita que as duas vias de acesso podem ter sido usadas várias vezes pela população que chegava da Ásia, dando origem, inclusive, à miscigenação. Torroni discorda da teoria de que, antes da chegada de Cristóvão Colombo, o continente teria sido ocupado por uma única corrente migratória, há cerca de 12 mil anos, pelos antepassados dos índios atuais. Estudos anteriores realizados por antropólogos – alguns brasileiros - tendo como base a análise de crânios já indicavam que a teoria da imigração única estava equivocada. A descoberta do crânio de Luzia, encontrado em uma gruta de Lagoa Santa, em Minas Gerais, na década de 70, também derrubava essa explicação. Recebida com críticas inicialmente, a teoria brasileira vem sendo cada vez mais aceita. Ela indica que, antes dessa marcha empreendida há 12 mil anos, uma outra leva, bem mais antiga, chegou à América. E Luzia, datada com cerca de 12 mil anos pelo antropólogo da Universidade de São Paulo (USP) Walter Neves, seria descendente desse grupo.


Ancestrais
Os primeiros colonizadores seriam ancestrais dos atuais aborígines australianos e teriam saído do sul da China atual e atingido o continente americano há cerca de 15 mil anos. Eles teriam vivido milhares de anos isolados do resto do mundo até desaparecerem na disputa por caça e território. A segunda leva migratória seria a ancestral dos índios de hoje. "A partir da análise de crânios, alguns antropólogos encontraram eventuais diferenças, inclusive na América do Sul, que remetiam a essa possibilidade", destacou Torroni. "Agora, temos a comprovação genética de que a ocupação humana das Américas foi feita por pelo menos duas diferentes migrações." O trabalho do geneticista italiano e de seu grupo de cientistas americanos, espanhóis, alemães e chineses foi feito com base em amostras de DNA mitocondrial – material genético que fica dentro da mitocôndria, estrutura que processa energia nas células – adequadas para investigar linhagens maternas. Dos 70 mil indivíduos estudados, 69 tiveram o DNA mitocondrial completamente seqüenciado. Os cientistas encontraram dois diferentes tipos de DNA, relativamente raros e chamados D4h3 e X2a. O primeiro teria se espalhado pela América através da costa do Pacífico e rapidamente alcançou a Terra do Fogo. Já o X2a, basicamente ao mesmo tempo, partiu também da Beríngia e permaneceu restrito à América do Norte, sendo encontrado apenas nos Estados Unidos e Canadá.


Polêmica
Outro estudo, publicado há quase oito meses na revista American Journal of Physical Antropology, não concorda com essa teoria. Tendo como autores o antropólogo argentino Rolando González-José, do Centro Nacional Patagônico, e os geneticistas brasileiros Fabrício Santos (Universidade Federal de Minas Gerais), Maria Cátira Bortolini (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e Sandro Bonatto (PUC-RS), o trabalho diz que os primeiros habitantes do continente vieram em uma única grande migração, mas formavam um grupo bem diversificado. O quarteto analisou mais de 10 mil dados genéticos e 576 medidas de crânios de populações extintas e atuais do Novo e do Velho Mundo. Eles questionam tanto a tese de Walter Neves e do argentino Héctor Pucciarelli – de que a população mongolóide da América havia sido precedida de uma outra migração muito mais antiga, a paleoíndia – como o modelo de povoamento das Américas em três ondas migratórias a partir de 12 mil anos atrás proposto pelos americanos Christy Turner e Joseph Greenberg. De acordo com eles, todas as linhagens de DNA americanas chegaram de uma vez. Uma migração principal explicaria 98% de toda a diversidade das Américas. O estudo do grupo de Torroni diz que os primeiros americanos são originários dos paleoíndios, que, em conseqüência, deram origem a quase todos os modernos grupos de índios americanos das Américas do Norte, Central e do Sul.

BBC

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Maior dinossauro brasileiro está em exposição em Botafogo

O Uberabatitan riberoi foi descoberto durante obra em estrada em Uberaba.O animal do período Cretáceo tem aproximadamente 65 milhões de anos.



Réplica de dinossauro de porte médio tem 12 metros de comprimento (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)



Quem quiser descobrir um pouco mais sobre as origens da vida no Brasil tem um programa imperdível. Até o dia 24 de outubro estará em exposição na Casa da Ciência, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a réplica do esqueleto do maior e mais antigo habitante do território nacional que se tem conhecimento: o dinossauro Uberabatitan ribeiroi, de aproximadamente 65 milhões de anos. A réplica paleontológica – feita a partir de 37 ossos originais descobertos em escavações em Uberaba, em Minas Gerais – é de um titanossauro de porte médio. O esqueleto tem 12 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e pesava entre 12 e 16 toneladas. Os maiores poderiam chegar a 20 metros de comprimento e ter mais de cinco metros de altura.Ao lado do titanossauro, foi instalada uma réplica artística – sem a cópia de ossos originais – de um abelissauro, que segundo o paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, convivia com o Uberabatitan ribeiroi, na região mineira.“A descoberta do maior dinossauro brasileiro vai ajudar a ciência a desvendar os mistérios da origem das espécies e sua evolução na Terra”, disse o paleontólogo, do Museu dos Dinossauros, de Uberaba.

Onde ver

A exposição é aberta gratuitamente ao público de terça a sexta, das 9h às 20h, e sábados e domingos, das 10h às 20h. A Casa da Ciência fica na Rua Lauro Muller, número 3, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.


Globo on line

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Fósseis no canal do Panamá dão pista sobre formação da América

Fósseis com mais de 20 milhões de anos encontrados por cientistas no Panamá podem explicar como e quando as Américas se uniram. Geólogos do Instituto Smithsonian, dos EUA, que tem uma base permanente no Panamá, disseram que mais de 500 fósseis foram achados por engenheiros que escavam para alargar o canal do Panamá. Entre as peças há ossos e dentes de roedores, cavalos, crocodilos e tartarugas que viveram antes que surgisse um istmo entre as Américas do Norte e do Sul. "Com essas descobertas poderemos obter mais informações sobre o processo pelo qual a ponte terrestre contínua se formou", disse o geólogo Camilo Montes, do Smithsonian, à Reuters.

A convite do governo local, geólogos acompanham desde fevereiro a ampliação do supersaturado canal, uma obra de 5,25 bilhões de dólares. Os cientistas acreditam que as placas tectônicas da América do Sul e do Caribe se chocaram há cerca de 15 milhões de anos, provocando uma atividade vulcânica que acabou formando o istmo centro-americano e separando os oceanos Atlântico e Pacífico. Há cerca de 3 milhões de anos essa ponte provavelmente já estava completamente formada, permitindo que mamíferos passassem de um lado para outro.

Comparando as descobertas do Panamá com registros fósseis de cada continente, os paleontólogos esperam determinar de onde cada espécie veio. Vestígios vulcânicos incrustados na mesma camada de rocha dos fósseis ajudarão a indicar a época em que determinado animal era achado em cada lado da ponte. A união das Américas propiciou uma migração em massa de animais, enquanto a separação dos oceanos transformou o clima global e provocou o surgimento de novas espécies. Montes disse que descobrir exatamente quando isso aconteceu pode ser essencial para entender a ligação entre as grandes mudanças nas correntes oceânicas e o nosso clima, esclarecendo algumas questões ligadas ao aquecimento global. "O fechamento (do istmo) pode estar ligado a uma era glacial que afetou a América do Norte mais ou menos ao mesmo tempo, talvez alterando as correntes oceânicas", disse Montes."Alguns já argumentaram que o momento da era glacial foi uma coincidência. Uma linha do tempo mais precisa para o fechamento pode nos dizer se essas duas coisas estavam separadas ou vinculadas."
Reuters
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