quarta-feira, 24 de agosto de 2016

La Crónica de Nabónido (555-540 a.C.)

 La Crónica de Nabónido (555-540 a.C.)
Da página Arqueologia biblica Facebook

fue traducida al persa moderno por primera vez por el arqueo-astrónomo Reza Moradi Ghiasabadi. La tablilla, que da, año tras año, una breve narración de los acontecimientos acontecidos durante el reinado de Nabónido, el último rey de Babilonia, el cual encaja perfectamente con el contexto narrado en la biblia de la historia de aquel tiempo y suceso. Se mantiene en el British Museum. "La tablilla de arcilla fue escrita en neo-babilónico por orden de Ciro el Grande", dijo Moradi al servicio persa de la agencia de noticias CHN. "Dado que gran parte de la tablilla está dañada, es imposible leerla directamente en su totalidad. La traducción se basa en los textos de las traducciones inglesas de la tablilla. Sin embargo, he utilizado el texto original babilonio de la tablilla para escribir con precisión algunos de los nombres", agregó. "La crónica, que fue descubierta en el palacio real de Babilonia, es más antigua que el Cilindro de Ciro (539-530 a.C.) y nunca había sido traducida al persa hasta ahora", explicó.

La tablilla fue descifrada y publicada en inglés por primera vez por D. D. Luckenbill de la Universidad de Chicago en 1926. Otras traducciones fueron publicadas por J. B. Pritchard en 1950 y por A. K. Grayson en 1975, y la última edición fue propagada por C. B. F. Walker en 1982. Según Moradi, "a pesar de que la tablilla está dañada y es muy corta, es muy significativa en varias formas". Y añadió: "En primer lugar, es el documento más antiguo del reinado de Ciro el Grande. Además, es la fuente más antigua que narra la conquista de Ciro de otros países, como Babilonia. La tablilla, a su vez, es el texto más antiguo que narra la victoria de Ciro sobre Astiages, el último rey medo”. Como conclusión indicó: “La crónica pueLa Crónica de Nabónido (555-540 a.C.)de ser considerada como un texto de gran valor, puesto que registra la historia con honestidad, con neutralidad, sin ningún tipo de exageración o subestimación, sin ningún tipo de insulto o alabanza, incluso para los dioses o reyes".

terça-feira, 26 de julho de 2016

Ricostruito l'identikit di Luca, l'antenato di tutti i viventi

Luca viveva in un ambiente estremo, simile a una sorgente idrotermale (fonte: NOAA Office of Ocean Exploration, Bob Embley - NOAA PMEL)Luca viveva in un ambiente estremo, simile a una sorgente idrotermale (fonte: NOAA Office of Ocean Exploration, Bob Embley - NOAA PMEL)
Pronto il primo ritratto genetico di 'Luca', l'organismo unicellulare che 4 miliardi di anni fa è stato l'ultimo antenato comune a tutti gli esseri viventi: pubblicato su Nature Microbiology dai ricercatori dell'Università di Dusseldorf, dimostra che questo microrganismo primitivo era capace di sopravvivere in un ambiente estremo, privo di ossigeno, caldo e ricco di minerali, in condizioni molto simili a quelle delle sorgenti idrotermali che ancora oggi esistono in alcune zone del pianeta.

Per ottenere questo spaccato inedito sulle condizioni che hanno dato origine alla vita sulla Terra, i ricercatori hanno vestito i panni di moderni Indiana Jones della genetica: 'rovistando' fra 6 milioni di geni appartenenti a microrganismi unicellulari attualmente viventi, sono riusciti a trovare circa 300 antichissimi geni probabilmente appartenuti a Luca (Last Universal Common Ancestor). Partendo da questi pochi dati, sono quindi riusciti a ricostruire il metabolismo e l'habitat in cui viveva.

Il ritratto genetico di Luca indica che il nostro illustre antenato viveva in assenza di ossigeno e a temperature relativamente elevate. 'Mangiava' anidride carbonica, azoto e idrogeno per alimentare il suo metabolismo, e sfruttava anche metalli come il ferro e altri elementi come il selenio. A grandi linee, il suo 'stile di vita' ricorda quello di alcuni microrganismi dei giorni nostri, come i batteri del genere Clostridium e gli archeobatteri metanogeni.

''Quando parliamo del metabolismo di Luca - commenta James McInerney, biologo dell'Università di Manchester - parliamo del metabolismo dominante e di maggior successo sul pianeta Terra prima che gli esseri viventi si dividessero in batteri e archea. Questo nuovo studio ci offre un'affascinante visione della vita risalente a quattro miliardi di anni fa''.


www.ansa.it

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Curiosidade - Como se restaura uma múmia de 4,5 mil anos

Da BBC

Sriram KarriImage copyrightSRIRAM KARRI
Image captionA múmia, agora totalmente restaurada, está no museu de Hyderabad, na Índia
O Museu Estatal de Hyderabad, no sul da Índia, tem entre seus tesouros a múmia que acredita-se ser da princesa egípcia Naishu, nascida por volta do ano 2.500 a.C - uma peça que, portanto, tem nada menos que de 4,5 mil anos de existência.
Mas o tempo cobrou seu preço do artefato, presente na coleção do museu desde os anos 1920: há pouco mais de um ano, os curadores do museu indiano descobriram que a múmia começara a se desestabilizar e deteriorar - em parte por causa da negligência dos administradores do museu e em parte pela falta de conhecimento sobre como deter o apodrecimento.
A camada externa mais dura, decorada com pinturas, começava a rachar e se despedaçar, com fragmentos caindo na região do rosto, ombros e peito. Os pés da múmia já estavam à mostra.
Como resultado, algumas partes cobertas com as bandagens antigas já estavam expostas e se soltando.
Como, então, recuperar uma peça arqueológica tão antiga? A missão recaiu sobre Anupam Sah, chefe de restauração do Museu Príncipe de Gales, em Mumbai, também na Índia.
Com uma equipe de seis especialistas, ele trabalhou na restauração entre os meses de março e abril.
  • Sriram Karri
Image copyrightSRIRAM KARRI
Image captionHá pouco mais de um ano os curadores do museu de Hyderabad descobriram que a múmia começou a se desestabilizar

Sem produtos químicos e sem mexer muito

O primeiro desafio de Sah e sua equipe era recuperar as bandagens sem usar qualquer produto químico e sem mover o artefeto, por causa de sua fragilidade.
"A múmia era muito frágil, e movê-la era muito arriscado. Era preciso ter cuidado porque o tecido (que envolvia a múmia) estava muito quebradiço", afirmou Sah.
Sem a possibilidade de mexer muito na múmia, a equipe teve de dispensar os processos e ferramentas tradicionais, incluindo as técnicas mais básicas de exame, métodos de tratamento e o uso de infravermelho, luzes ultravioleta e espectômetros para análise de cores.
"Avaliamos que poderíamos restaurar as bandagens para chegar a um estado próximo ao original sem causar nenhum dano em um período de dez dias", explicou Sah.
A restauração começou com o estudo de amostras do linho da múmia e dos fluidos de embalsamação usados à época. Gaze esterelizada ajudou a recompor pedaços da múmia que estavam se desmanchando. Com materiais especiais foi possível restaurar partes rachadas e desgastadas.
"Em seguida, tivemos que levá-la enrolada em várias camadas de algodão para um centro de diagnóstico para fazer radiografias e uma tomografia da cartilagem. Tivemos que levá-la com muito cuidado e segurança e trazê-la de volta antes que o sol ficasse muito forte", afirmou o especialista à BBC.
As radiografias e tomografia revelaram que a múmia estava "em forma" - ou seja, grande parte de seus ossos estavam preservados -, mas o artefato ainda requer muitos cuidados e novas estapas de restauração.
"Receberemos uma câmara de nitrogênio para a múmia, que vai garantir zero de oxidação e evitar mais envelhecimento", disse o especialista. Esse tipo de câmara controla também a umidade e a temperatura, evitando bactérias.
Outra estratégia sendo avaliada é a aquisição de uma peça de silicone que preserve a estrutura da múmia - que, ao contrário da maioria, não tem um sarcófago para ajudar a protegê-la, explica o jornal The Hindu.
Sah, que é também fundador e diretor da organização não governamental Sociedade Himalaia para a Conservação do Patrimônio e da Arte, disse à BBC que a equipe não vai criar uma "nova vestimenta para a múmia, mas simplesmente vamos garantir que a original não se deteriore nunca mais".

Anupam Sah, chefe de restauração do Museu Príncipe de GalesImage copyrightSRIRAM KARRI
Image captionSah (à esq.) afirmou que o processo para restaurar a múmia foi muito complexo

A história

A múmia da princesa Naishu foi comprada do Egito em 1920 por Nazeer Nawaz Jung, genro do então governante de Hyderabad, Mir Mehboog Ali Khan.
Não se sabe se ele comprou de um colecionador particular ou de um museu, mas acredita-se que, na época, ele tenha pago cerca de US$ 1,3 mil (cerca de R$ 4,1 mil).
Desde que foi doada para o museu, a múmia é mantida em uma caixa de vidro hermética.
Em entrevista à BBC, NR Visalatchy, diretora de arqueologia do setor de museus do governo da região de Telangana, na Índia, explicou que das seis múmias egípcias autênticas que estão nos museus do país, Naishu é a única que está no sul da Índia.
Até há pouco tempo acreditava-se que Naishu tivesse morrido com apenas 18 anos. Mas novos estudos descobriram que a princesa morreu com cerca de 24 anos de idade.
"Esta é uma peça rara da história do Egito no coração de Hyderabad. Fico emocionada toda vez que venho vê-la, já que ela viveu 25 séculos antes de Cristo. Vamos garantir que ela esteja segura", afirmou NR Visalatchy.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Neoa-JBS integra Semana Municipal da Arqueoastronomia


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Ter, 21 de Junho de 2016 16:33
verao
Vai até o dia 23 de junho a mostra sobre arqueoastronomia no hall de entrada do Câmpus Florianópolis. A exposição é organizada pelo Núcleo de Estudo e Observação Astronômica “José Brazilicio de Souza” (Neoa-JBS), vinculado ao Câmpus Florianópolis, e integra a Semana Municipal da Arqueoastronomia.


Na segunda, dia 20, o Neoa participou da 34ª Caminhada Arqueostronômica do Instituto Muldisciplinar do Meio Ambiente e Arqueoastronomia (IMMA). Foi feita a observação do nascer da lua cheia, que este ano teve a mesma data que o solstício de inverno. No Brasil, a última vez que houve essa coincidência foi em 1948 e a próxima será em 2054.

Semana Municipal da Arqueoastronomia

O município de Florianópolis instituiu em 2006, através da Lei nº 7202, a Semana Municipal de Arqueoastronomia, que é comemorada anualmente entre os dias 18 e 24 de junho. O objetivo básico da Semana é a promoção de palestras, cursos e outras atividades que ressaltem a importância da Arqueoastronomia em escolas, parques e espaços públicos, conscientizando a população sobre a necessidade de preservação de sítios arqueológicos cujas construções tiveram sua motivação inicial nas observações astronômicas (solstício, equinócios, etc).

Foto: nascer do Sol no solstício de verão, Pedra do Frade, Barra da Lagoa. Crédito: Alexandre Amorim)

Com informações do Neoa-JBS.

http://florianopolis.ifsc.edu.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1482%3Aneoa-jbs-integra-semana-municipal-da-arqueoastronomia&catid=44%3Anoticias&Itemid=134

terça-feira, 31 de maio de 2016

Antigas listas de compras viram evidência sobre quando a Bíblia foi escrita

Isabel Kershner
Em Tel Aviv (Israel)
  • Michael Cordonsky/Israel Antiquities Authority via The New York Times
    Anotações feitas em tinta em cerâmica
    Anotações feitas em tinta em cerâmica
Eliashib, o intendente da remota fortaleza no deserto, recebia suas instruções por escrito, anotações feitas em tinta em cerâmica pedindo que provisões fossem enviadas para as forças no antigo reino de Judá.

Os pedidos por vinho, farinha e óleo parecem listas de compras mundanas, apesar de antigas. Mas uma nova análise da caligrafia sugere que a capacidade de ler e escrever era bem mais disseminada do que antes se sabia na Terra Santa por volta de 600 a.C., perto do final do período do Primeiro Templo. As conclusões, segundo pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, pode ter alguma relevância para o debate de um século sobre quando o corpo principal dos textos bíblicos foi composto.

"Para Eliashib: agora, dê a Kittiyim 3 batos de vinho, e escreva o nome do dia", diz um dos textos, compostos em hebraico antigo usando o alfabeto aramaico, e aparentemente referindo-se a uma unidade mercenária grega na área.

Outra dizia: "E um coro pleno de vinho, traga amanhã. Não atrase. E se tiver vinagre, dê a eles".

O novo estudo, publicado na "Proceedings of the National Academy of Sciences", combinou arqueologia, história judaica e matemática aplicada, assim como envolveu processamento de imagens por computador e o desenvolvimento de um algoritmo para distinguir entre os vários autores emitindo as ordens.

Com base na análise estatística dos resultados, e levando em consideração o conteúdo dos textos escolhidos como amostra, os pesquisadores concluíram que pelo menos seis mãos escreveram as 18 mensagens mais ou menos na mesma época. Até mesmo soldados das fileiras mais baixas do exército de Judá, ao que parece, sabiam ler e escrever.

"Há algo psicológico além das estatísticas", disse o professor Israel Finkelstein, do Departamento de Arqueologia e Civilizações Antigas do Oriente Próximo da Universidade de Tel Aviv, um dos líderes do projeto. "Há um entendimento do poder da alfabetização. E eles escreviam bem, praticamente sem erros."

O estudo se baseou em um conjunto de cerca de 100 cartas escritas com tinta em pedaços de cerâmica, conhecidos como óstracos, que foram descobertos perto do Mar Morto em escavações do forte Arad, décadas atrás, e datados de cerca de 600 a.C. Isso foi pouco antes da destruição de Jerusalém e do reino de Judá por Nabucodonosor, e o exílio de sua elite para a Babilônia, e antes de quando muitos acadêmicos acreditam que grande parte dos textos bíblicos, incluindo os cinco livros de Moisés também conhecidos como Pentateuco, foram escritos de forma coesa.

A cidadela de Arad era uma frente pequena, distante e ativa, próxima da fronteira com o reino rival de Edom. O forte em si tinha apenas cerca de 2.000 metros quadrados e provavelmente só acomodava cerca de 30 soldados. A riqueza dos textos encontrados ali, registrando movimentos de tropas, provisões e outras atividades diárias, foi criada em um período curto, o que os torna uma amostra valiosa para estudo de quantas mãos diferentes os escreveram.

"Para Eliashib: agora, forneça 3 batos de vinho", ordenava outro óstraco, adicionando: "E Hananyahu ordena que envie a Beersheba 2 mulas carregadas e envie a massa de pão com elas".

Encontrada múmia de uma das mulheres mais importantes do Egito Antigo

UOL - Arqueólogos espanhóis descobriram a múmia de Sattjeni, uma dama da nobreza que era "a guardiã do sangue dinástico", na cidade egípcia de Assuão, explicou à Agência Efe o chefe da missão, Alejandro Jiménez.
A múmia de Sattjeni, "filha, esposa e mãe de governadores", segundo Jiménez, foi achada dentro de dois sarcófagos de madeira na necrópole de Qubbet el-Hawa, no Vale dos nobres, que é escavada pela equipe espanhola desde 2008.
Divulgação/Ministério de Antiguidades
Detalhe da tumba de Sattjeni
Esta dama da dinastia 12 do Império Médio foi a mãe dos principais governadores de Elefantina, Heqaib III e Amaney-Seneb, que dirigiram a região entre 1810 e 1790 a.C.
O diretor do departamento de Antiguidades egípcio, Mahmoud Afifi, garantiu em comunicado que Sattjeni era além disso filha do emir Sarenput II e "uma das principais personalidades da época".
Para Jiménez, a importância do achado -feito em 5 de março - está em que esta família estava "bem abaixo do faraó" Amenemhat III (1800-1775 a . C.) na hierarquia de Assuão.
A múmia tem o rosto coberto por uma máscara policromada, detalhou o arqueólogo espanhol.
Os sArqueólogos espanhóis descobriram a múmia de Sattjeni, uma dama da nobreza que era "a guardiã do sangue dinástico", na cidade egípcia de Assuão, explicou à Agência Efe o chefe da missão, Alejandro Jiménez.
A múmia de Sattjeni, "filha, esposa e mãe de governadores", segundo Jiménez, foi achada dentro de dois sarcófagos de madeira na necrópole de Qubbet el-Hawa, no Vale dos nobres, que é escavada pela equipe espanhola desde 2008.
Divulgação/Ministério de Antiguidades
Detalhe da tumba de Sattjeni
Esta dama da dinastia 12 do Império Médio foi a mãe dos principais governadores de Elefantina, Heqaib III e Amaney-Seneb, que dirigiram a região entre 1810 e 1790 a.C.
O diretor do departamento de Antiguidades egípcio, Mahmoud Afifi, garantiu em comunicado que Sattjeni era além disso filha do emir Sarenput II e "uma das principais personalidades da época".
Para Jiménez, a importância do achado -feito em 5 de março - está em que esta família estava "bem abaixo do faraó" Amenemhat III (1800-1775 a . C.) na hierarquia de Assuão.
A múmia tem o rosto coberto por uma máscara policromada, detalhou o arqueólogo espanhol.
Os sarcófagos, de madeira de cedro do Líbano, estão talhados e apresentam escrituras hieroglíficas que permitiram identificar Sattjeni e datar a tumba.
O caixão interior se encontra em "bom estado de conservação", acrescentou em seu comunicado o responsável de Antiguidades egípcio.
Divulgação/Ministério de Antiguidades
Inscrições hieroglíficas encontradas em tumba da múmia de Sattjeni
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Tumba de Tutancâmon pode ter câmaras secretas; conheça túmulo do "faraó menino"8 fotos

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Uma equipe de arqueólogos investiga o túmulo de Tutancâmon, no Egito, em busca de câmaras secretas. Há suspeitas de que ali esteja também a tumba de sua madrasta, a rainha Nefertiti. Enquanto não há provas sobre espaços ocultos, conheça o lugar onde foi sepultado o faraó meninoVEJA MAIS >
Imagem: Mohamed El-Shahed/AFP Photo

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Como seca pode explicar declínio da civilização maia

Da BBC

Quando os conquistadores espanhóis zarparam para a América Central, em 1517, seu objetivo era derrotar a civilização maia, que dominava a região. Mas os colonizadores descobriram, ao chegar, que boa parte do trabalho já tinha sido feito para eles.
As imponentes cidades de calcário dos maias, uma marca registrada de uma das civilizações mais avançadas do Mundo Antigo, já estavam sendo invadidas pela floresta. O motivo pelo qual a civilização maia desapareceu é um dos maiores mistérios da história.
O povo sobreviveu. Houve inclusive resistência ao domínio europeu. Mas, quando os espanhóis chegaram, já tinha desaparecido o poder político e econômico que tinha erguido pirâmides e sustentado uma população que chegou a 2 milhões de pessoas.
As primeiras cidades maias foram construídas no primeiro milênio antes de Cristo, e a civilização chegou a seu apogeu por volta de 600 d.C. Arqueólogos já escavaram milhares de sítios maias, a maioria espalhada por uma região na parte sul da Península de Yucatán, no México, além de Belize e Guatemala.
É bastante provável que mais ruínas ainda estejam escondidas pela densa floresta tropical da região.
Depois de mais de 200 anos de estudos, conhecemos o suficiente sobre os maias para estarmos bem impressionados. Sua arte e arquitetura distintas nos levam a crer que eles eram exímios artesãos.
Templo maia no MéxicoImage copyrightALAMY
Image captionPirâmides e templos eram alinhados com os astros
Os maias eram ainda intelectualmente avançados. Tinham um forte conhecimento de matemática e astronomia, que usavam para alinhar pirâmides e templos com movimentos dos astros. E usavam a única linguagem escrita conhecida na Mesoamérica, uma série de bizarros caracteres conhecidos como os Hieróglifos Maias.
As maravilhas deixadas para trás pelos maias valeram uma senhora reputação. Mas a maneira como sua civilização encontrou seu final é curiosa.
Comecemos com o que sabemos: por volta de 850 d.C., após séculos de prosperidade e hegemonia, os maias começaram a abandonar suas cidades, uma depois da outra. Em menos de 200 anos, sua civilização tinha se tornado uma fração de seu passado glorioso. Haveria algumas ressurgências isoladas, mas a grandiosidade maia estava perdida para sempre.
Além da escala tão monumental, o que fez o colapso maia tão chocante é que, apesar de décadas de estudos, os arqueólogos ainda não concordam sobre o que causou tudo isso. Assim como no caso do Império Romano, não parece haver um único culpado para a debacle maia. Mas a natureza desse declínio levou alguns pesquisadores a suspeitar que a civilização maia possa ter sido vítima de uma catástrofe - capaz de derrubar cidade após cidade em seu caminho.
Terra secaImage copyrightALAMY
Image captionAnálises climáticas revelam que território maia passou por período severo de secas
Há teorias abundantes sobre o assunto. Algumas das mais comumente discutidas falam em invasão, guerra civil e colapso de rotas comerciais. Mas desde que cientistas, nos anos 90, começaram a analisar dados históricos sobre o clima, uma teoria ganhou popularidade: a de que os maias sofreram um período de mudanças ambientais severas.
Nos séculos imediatamente anteriores ao colapso maia - a chamada Idade Clássica, entre os anos 250 e 800 d.C. -, a civilização maia teve um boom. Cidades floresceram e colheitas eram abundantes. As informações climáticas (normalmente provenientes de formações em cavernas) mostram que durante este tempo a área ocupada pelos maias teve alto índice de chuva. Mas a mesma análise de informações mostra que, a partir do ano de 820, a região foi assolada por 95 anos de secas periódicas, algumas durando décadas.
Cientistas identificaram uma impressionante correlação entre a ocorrência das secas e o colapso maia. A maior parte das grandes cidades maias "caiu" entre 850 e 925 d.C., algo que coincidiu com quase um século de seca. Essa correlação não é suficiente para encerrar o mistério por si só, mas leva especialistas a desconfiar do clima como um dos principais causadores do declínio maia.
Um dos problemas com essa teoria é que nem todas as cidades sofreram com a seca. As cidades que caíram durante o período de estiagem do século 9 estavam majoritariamente localizadas na porção sul do território, onde hoje ficam Guatemala e Belize. No norte, porém, a civilização não apenas sobreviveu às secas como registrou desenvolvimento.
Chichen ItzaImage copyrightALAMY
Image captionPirâmide de Chichen Itza, no México
O norte gozava de relativa prosperidade, com um aumento no número de centros urbanos, incluindo uma das mais grandiosas cidades maias: Chichen Itza. Por que a vida era tão diferente no norte?
Cientistas propuseram várias explicações para essa discrepância, mas nenhuma delas parece ter ganhado a batalha. No entanto, uma recente descoberta parece oferecer uma solução para o paradoxo.
Arqueólogos especializados na cultura maia têm dificuldades para estabelecer datas. Quase nenhum dos arquivos maias sobreviveu à colonização espanhola (por ordem de padres católicos, livros maias foram queimados aos montes e hoje apenas quatro sobrevivem). Sendo assim, para determinar uma linha de tempo para a civilização maia, cientistas se fiam em calendários registrados em monumentos, análises estilísticas de cerâmicas e em testes de carbono de materiais orgânicos.
Estudos anteriores já tinham determinado as idades aproximadas dos principais centros urbanos da civilização maia do norte. Foram eles que determinaram que o norte tinha sofrido as secas do século 9. Mas um novo trabalho, publicado em dezembro por arqueólogos americanos e britânicos, pela primeira vez traz um apanhado generalizado de datas relacionadas aos centros urbanos da região norte. São mais de 200 datas que permitiram aos pesquisadores estabelecer um retrato mais profundo dos tempos em que as cidades do norte estavam ativas, bem como os períodos em que entraram em declínio.
Estiagem do século 11Image copyrightALAMY
Image captionEstiagem do século 11 foi maior da região em dois mil anos, segundo arqueólogos
Os pesquisadores descobriram que o norte não apenas tinha sofrido declínio durante o período de seca, mas que isso ocorrera DUAS vezes. Isso com base no número de inscrições temporais na segunda metade do século 9. O mesmo padrão é encontrado em análise de carbono, que indicam, por exemplo, que a construção com o uso de madeira encolheu no mesmo período.
Para os cientistas, esses dados mostram que também havia declínio político-social no norte maia, que pode até ter enfrentado a crise melhor que o sul, mas ainda assim sofreu declínio. Só que nós já sabíamos que Chichen Itza e os outros centros maias do norte tinham sobrevivido bem ao longo do século 10.
É o segundo declínio identificado pelos cientistas que torna a história bem mais interessante e muda nosso conhecimento sobre os maias. Depois de uma recuperação no século - e que, interessantemente, coincide com um aumento no índice pluviométrico, pesquisadores notaram outra queda na construção civil em diversos sítios do norte: gravações em pedra e outras atividades ligadas à construção caíram pela metade entre 1000 e 1075 d.C.
E, assim como 200 anos antes, pesquisadores descobriram que o segundo declínio também ocorreu em tempos de seca, ainda mais severa que no século 9 - na verdade, a estiagem do século 11 foi a maior da região em 2 mil anos.
Agricultura maiaImage copyrightALAMY
Image captionCivilização maia criou dependência tanto política quanto econômica da agricultura
Se a primeira grande seca devastou os maias no sul, a segunda pode ter acabado com tudo no norte. Chichen Itza e outros importantes centros urbanos da região não voltariam a se recuperar. Houve algumas exceções - Mayapan, por exemplo, floresceu entre os séculos 13 e 15 -, mas elas nunca rivalizaram com as clássicas cidades maias em tamanho ou complexidade.
Mas como as mudanças climáticas derrubaram os maias?
A maior parte das explicações gira em torno da agricultura. Os maias, assim como todas as grandes civilizações, dependiam fortemente da agricultura para sua pujança econômica e para sustentar sua população. Um argumento simples é que a escassez na produção de alimentos gradualmente diminuiu a influência política da sociedade maia e levou à desintegração social. Mas o processo não foi tão direto assim.
"Sabíamos que já havia guerras e instabilidade política nos territórios maias antes das secas do século 9", diz Julie Hoggarth, da Baylor University, no Texas (EUA), e uma das coordenadoras do estudo climático publicado em dezembro.
Talvez os conflitos internos tenham se juntado ao efeito das secas: com a diminuição dos estoques de alimentos, a competição por recursos ficou intensa ao ponto de levar à ruptura social. Mas há uma terceira explicação, amparada no talento dos maias.
Templo maiaImage copyrightALAMY
Image captionPoderia escassez de alimentos ter levado mais à guerra civil?
Além de grandes artesãos, eles eram grandes escultores ambientais.
Para produzir alimento suficiente para alimentar milhões, os maias escavaram imensos sistemas de canais que por vezes chegavam a centenas de quilômetros de extensão. Isso lhes permitia tornar áreas inférteis produtivas. Eles também derrubaram imensas áreas de florestas para a agricultura e a construção.
Alguns estudiosos creem que essas atividades teriam piorado os efeitos das mudanças climáticas: o desmatamento, por exemplo, teria tornado as secas mais rigorosas. Outra teoria é que o desenvolvimento da agricultura tenha levado a um crescimento populacional acelerado e mais vulnerável à escassez de alimentos.
Quaisquer que tenham sido as razões para o colapso, sabemos algo sobre o destino das pessoas que restaram. A partir de 1050 d.C., os maias pegaram a estrada. Abandonaram as regiões do interior e rumaram para a costa caribenha ou para locais com lagos. O êxodo pode ter sido motivado por fome, e a mudança para regiões mais úmidas fazia sentido, em especial fugindo da seca.
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