quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Arqueólogos encontram cidade pré-inca no Peru

Arqueólogos peruanos descobriram as ruínas de uma cidade antiga inteira na costa norte do Peru. Além de artefatos de cerâmica e pedaços de roupa, os pesquisadores disseram ter encontrado restos bem-conservados de uma jovem. Também foram encontrados indícios de sacrifícios humanos praticados na cidade, que ocupava uma área de 5 quilômetros quadrados. Os arqueólogos acreditam que a cidade tenha sido construída pelos waris, que dominaram a região durante cinco séculos no final do primeiro milênio e criaram um império quase tão grande quanto o dos incas.

BBC

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Astrônomo diz que Jesus pode ter nascido em junho


Uma pesquisa realizada por um astrônomo australiano sugere que Jesus Cristo teria nascido no dia 17 de junho e não em 25 de dezembro. De acordo com Dave Reneke, a "estrela de Natal" que, segundo a Bíblia, teria guiado os Reis Magos até a Manjedoura, em Belém, não apenas teria aparecido no céu seis meses mais cedo, como também dois anos antes do que se pensava.

Estudos anteriores já haviam levantado a hipótese de que o nascimento teria ocorrido entre os anos 3 a.C e 1 d.C.

O astrônomo explica que a conclusão é fruto do mapeamento dos corpos celestes da época em que Jesus nasceu. O rastreamento foi possível a partir de um software que permite rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos.Baseando-se no Evangelho de Mateus, que descreve a aparição de uma "estrela" como sinal do nascimento de Jesus, Reneke identificou a conjunção dos planetas Vênus e Júpiter, que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela."Vênus e Júpiter chegaram muito perto no ano 2 a.C., refletindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que esta era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso", disse Reneke à BBC Brasil. "A astronomia é uma ciência tão precisa, que podemos apontar exatamente onde os planetas estavam. E há uma grande probabilidade de que esta conjunção possa ser a estrela descrita por Mateus no Evangelho."

O australiano diz que a pesquisa não é uma tentativa de contestar a religião."Quando misturamos ciência e religião há a sempre a chance de chatear as pessoas. Neste caso, esses resultados podem servir para reforçar a fé, porque mostram que realmente havia um grande objeto brilhante no céu no momento certo."

BBC

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Estruturas feitas por índios indicam cultura complexa no Brasil pré-histórico

Povos que viviam no Brasil até oito mil anos atrás criaram os sambaquis.Existem provas de que a cultura viajou e trocou peças até no Uruguai.

Isis Nóbile Diniz Do G1, em São Paulo


Sambaqui localizado em Angra dos Reis. (Foto: Divulgação/CNPq)

No litoral brasileiro é comum encontrar montes formados por conchas, areias ou terra. Os cientistas em geral formaram a idéia de que esses montes seriam uma espécie de depósito de lixo composto, principalmente, por restos de comida dos povos antigos, como as conchas dos mariscos. Mas uma pesquisadora agora sugere que esses chamados sambaquis representavam uma cultura muito mais complexa. Além de meros “lixões”, os pesquisadores afirmavam que os sambaquis deveriam ser um espaço de moradia mais seco e arejado, livre de insetos e com uma visão estratégica da redondeza. “Durante muito tempo se estudou esses sítios arqueológicos de maneira simplista, com uma perspectiva teórica muito pobre”, diz a antropóloga Tania Andrade Lima, professora no Departamento de Antropologia do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisadora sugere que esses habitantes, que viveram até oito mil anos atrás, eram mais do que caçadores e coletores de conchas. “Eles eram mais sedentarizados, o que proporcionou um grande crescimento populacional e possibilitou o emergir de uma sociedade diferenciada”, afirma.



Sítio arqueológico de sambaqui em Santa Catarina. (Foto: Divulgação/CNPq)

Isso significa que eles foram capazes de criar redes de difusão ideológicas de longo alcance. “Algumas peças, chamadas zoólitos, construídas em Santa Catarina, foram encontradas no Uruguai e vice-versa”, explica Lima. Isso mostrava que eles viajavam e levavam consigo objetos simbólicos. “Não é qualquer sociedade que faz isso”. De acordo com a pesquisadora, os sambaquis também poderiam ser símbolo de demonstração de poder. “Eram grandes monumentos como as pirâmides no Egito ou o World Trade Center nos Estados Unidos. A verticalidade de edifícios sugere que o homem que quer se tornar maior e mais forte”, diz. No interior dos sambaquis já foram encontrados vestígios de fogueiras; armas de caça e de pesca; ferramentas; restos alimentares; ossos de peixes, mamíferos, aves e répteis; e vegetais como coquinhos. Alguns sambaquis poderiam ser usados como moradia, grandes cemitérios, locais para rituais ou como habitação e sepultamento ao mesmo tempo. Todas essas são características exclusivas de sociedades agrícolas capazes de produzir excedentes. Pesquisadores recuperaram evidências de práticas rituais, como sepultamentos e oferendas. Em alguns deles, são encontradas esculturas feitas de pedra e de osso que, provavelmente, eram usadas em rituais. Contrastam com a simplicidade dos demais objetos.

Onde estão
Segundo a pesquisadora, os sambaquis são a base para entender a cultura e os hábitos das primeiras populações que povoaram a costa brasileira. Eles se localizam, principalmente, na região Sul do país. Tratam-se de sítios arqueológicos pré-históricos que podem alcançar 30 metros. O apogeu desses habitantes pode ter ocorrido em torno de quatro mil e três mil anos atrás, de acordo com datações radiocarbônicas. O declínio gradativo desse povo deve resultar de uma combinação de fatores. Entre eles está a coleta exagerada dos mariscos apreciados e consumidos com intensidade, o que inviabilizou sua reposição em número necessário. “Mas populações do interior do atual Brasil já dominavam a agricultura”, explica Lima. Elas poderiam ter alcançado a costa, no início da Era Cristã. Como eram economicamente mais fortes e organizadas -- por produzir o próprio alimento -- mudaram o modo de vida ou dizimaram quem vivia no litoral. Quando os europeus chegaram ao Brasil, há 500 anos, os povos que erguiam sambaquis não existiam mais.

Peças de rituais


Zoólito encontrado em sambaqui. (Foto: Divulgação/CNPq)

Os zoólitos aparecem com mais freqüência nos sambaquis localizados em Santa Catarina. São esculturas de animais feitas de pedra e osso. A cientista acredita que se trata de uma arte elaborada que requer indivíduos talentosos para a sua execução. Os zoólitos provavelmente não foram feitos por caçadores ou coletores. A distribuição de zoólitos sugere a existência de centros de produção no norte do estado de Santa Catarina, na região de Joinville e de Laguna. Ambas são áreas com alta concentração de sambaquis. Inclusive onde estão situados os montes de maior porte.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Egito diz ter encontrado pirâmide construída para antiga rainha

Construção foi localizada em areal ao sul da capital, Cairo, diz governo.Ela guardaria os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti.

Da Reuters, em Saqqara


Arqueólogos egípcios descobriram uma pirâmide construída no deserto e que pertenceria à mãe de um faraó no poder mais de 4.000 anos atrás, disse na terça-feira (11) o chefe do Departamento de Antiguidades do país.A pirâmide, encontrada há cerca de dois meses em um areal localizado ao sul do Cairo, guardava provavelmente os restos mortais da rainha Sesheshet, mãe do rei Teti, que governou de 2323 a.C. a 2291 a.C. e que fundou a Sexta Dinastia do Egito, afirmou Zahi Hawass.


Arqueólogos trabalham próximo à base da pirâmide recém-descoberta em Saqqara, no Egito, nesta terça-feira (11). (Foto: AP)

"A única rainha cuja pirâmide não havia sido encontrada é Sesheshet, e é por isso que tenho certeza de que essa pirâmide pertencia a ela", disse a autoridade. "Isso enriquecerá o nosso conhecimento a respeito do Antigo Reinado."A Sexta Dinastia, uma época de conflitos dentro da família real do Egito e de erosão do poder centralizado, é considerada a última dinastia do Antigo Reinado, depois do qual a região passou por um período de falta de alimentos e de instabilidade social.Arqueólogos haviam descoberto antes, perto dali, as pirâmides pertencentes a duas das mulheres do rei, mas nunca tinham encontrado uma tumba pertencente a Sesheshet.A construção sem topo, de 5 metros de altura, chegava originalmente a 14 metros, com laterais de 22 metros de comprimento, afirmou Hawass.A pirâmide, que seria a 118a a ser encontrada no Egito, segundo Hawass, havia sido escavada perto da pirâmide mais antiga do mundo, em Saqqara, uma área tumular para os antigos imperadores da região."Essa pode ser a mais completa pirâmide subsidiária a ser encontrada em Saqqara", afirmou Hawass.O monumento seria originalmente recoberto por pedras calcárias trazidas de uma mina a céu aberto existente em Tura, nas cercanias de Saqqara, disse a autoridade.Os arqueólogos pretendem entrar na câmara sepulcral da pirâmide dentro de duas semanas. A maior parte dos objetos presentes ali, no entanto, já deve ter sido roubada, afirmou Hawass.Alguns artefatos, entre os quais uma estátua de madeira do antigo deus egípcio Anúbis e figuras funerárias de datas posteriores, indicam que o cemitério havia sido reutilizado na época romana, disse a autoridade.

Brinco 'de 2 mil anos' é encontrado em Jerusalém

Autoridades dizem que a peça está 'incrivelmente bem preservada'.Brinco foi achado durante escavações em ruínas do período Bizantino.

Da Associated Press




Imagem liberada pela Autoridade Israelense de Antiguidades mostra o brinco que os arqueologistas dizem ter cerca de 2 mil anos encontrado em um campo de escavações de Jerusalém (Foto: AP)



Autoridades informaram que o brinco tem pérolas e esmeraldas e que deve ter sido produzido entre o primeiro século antes de Cristo e o começo do quarto século depois de Cristo (Foto: AP)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Escavações podem confirmar existência histórica de 'minas do rei Salomão'

Extração industrial de cobre na Jordânia é contemporânea do monarca.Mineração seria feita por reino vassalo; especialista contesta estudo.

Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

A velha briga para determinar o que é fato e o que é lenda nos textos bíblicos acaba de passar por mais uma reviravolta -- e quem saiu ganhando foi o glorioso reino de Salomão, filho de Davi, que teria governado os israelitas há 3.000 anos. Escavações na Jordânia sugerem que a extração de cobre em escala industrial no antigo reino de Edom -- região que, segundo a Bíblia, teria sido vassala dos reis de Israel -- coincide, em seu auge, com a época do filho de Davi. Em outras palavras: as célebres "minas do rei Salomão" podem ter existido do outro lado do rio Jordão.

Rejeitos da extração de cobre têm 6 m de comprimento (Foto: T.E. Levy)


A pesquisa, coordenada pelo arqueólogo Thomas E. Levy, da Universidade da Califórnia em San Diego, está na edição desta semana da prestigiosa revista científica americana "PNAS" , e bate de frente com os que duvidam da existência de uma monarquia poderosa em Jerusalém durante o século 10 a.C. Segundo esses pesquisadores, como Israel Finkelstein, da Universidade de Tel Aviv, tanto a região de Jerusalém quanto a área de Edom, onde as minas foram encontradas, eram habitadas por uns poucos aldeões e pastores nômades nessa época. O surgimento de reinos politicamente bem organizados e capazes de empreendimentos de larga escala só teria sido possível por ali cerca de 200 anos depois.

Levy discorda. "O que nós mostramos de forma definitiva é a produção de metal em larga escala e a presença de sociedades complexas, que podemos chamar de reino ou Estado arcaico, nos séculos 10 a.C. e 9 a.C. em Edom. Trabalhos anteriores afirmavam que o que a Bíblia dizia a respeito disso era um mito. Nossos dados simplesmente mostram que a história de Edom no começo da Idade do Ferro precisa ser reinvestigada usando ferramentas científicas", declarou o arqueólogo ao G1.

Cobre a dar com o pau
A região escavada por Levy e seus colegas na Jordânia é uma velha suspeita de ter abrigado as famosas minas salomônicas. Nos anos 1940, o arqueólogo americano Nelson Glueck já tinha defendido a idéia. No entanto, foi só com as escavações em larga escala no sítio de Khirbat en-Nahas (em árabe, "as ruínas de cobre"), ao sul do mar Morto, que o tamanho da atividade mineradora ali ficou claro. Estima-se que, só em sobras da extração do minério, existam no local entre 50 mil e 60 mil toneladas de detritos.

Numa escavação iniciada em 2006, Levy e seus colegas desceram pouco mais de 6 m e montaram um quadro em alta resolução da história de Khirbat en-Nahas. A ocupação começa com uma estrutura retangular de pedra, com protuberâncias ou "chifres". "Pode ter sido um altar", conta o arqueólogo -- esses "chifres" eram usados como plataforma para besuntar o sangue dos animais sacrificados na antiga Palestina. Acima dessa estrutura, ao menos duas grandes fases de extração de cobre estão documentadas, com paredes de pedra que serviam como instalação industrial.







Vista aérea do sítio de Khirbat en-Nahas, com antiga fortaleza em formato quadrado abaixo, no centro (Foto: UCSD Levantine Archaeology Laboratory)




Uma das formas de datar a atividade mineradora é a presença de artefatos egípcios -- um escaravelho e um colar -- que aparentemente datam da época dos faraós Siamun e Shesonq (chamado de Sisac na Bíblia) -- o século 10 a.C. Mas os pesquisadores também usaram o método do carbono-14 para estimar diretamente a idade de restos de madeira usados para derreter o minério e extrair o cobre. O veredicto? O mais provável é que a atividade industrial na área tenha começado em 950 a.C., data equivalente ao auge do reinado de Salomão, e terminado em torno de 840 a.C.

E não é só isso: escavações numa fortaleza próxima também sugerem uma construção na era salomônica, durante o século 10 a.C. Segundo o relato bíblico, Salomão usou vastas quantidades de bronze (cuja matéria-prima, ao lado do estanho, era o cobre) na construção do templo de Jerusalém. Também teria continuado o domínio estabelecido por seu pai Davi sobre Edom e financiado uma frota de navios mercantes que saíam do litoral edomita em busca de produtos de luxo.

Levy diz que os dados obtidos em Khirbat en-Nahas são compatíveis com o quadro do Antigo Testamento, mas mostra cautela. "Se as atividades lá podem ser atribuídas ao controle da produção de metal pela Monarquia Unida israelita, pelos edomitas ou por uma combinação de ambos, ou até por um outro grupo, é algo que nossa equipe na Jordânia ainda está investigando", ressalta ele.

Ilusão?
A pedido do G1, o arqueólogo Israel Finkelstein comentou o estudo na "PNAS" e fez pesadas críticas. Para começar, Finkelstein não reconhece a região de Khirbat en-Nahas como parte do antigo reino de Edom, porque o sítio fica nas terras baixas jordanianas, e não no planalto do além-Jordão.




Pesquisadores reconstruíram lugar em realidade virtual para localizar amostras de forma precisa (Foto: Pinar Istek/UC San Diego-Calit2)

"Na época em que Nahas está ativa, não há um único sítio arqueológico no platô de Edom, que só passa a ser ocupado nos séculos 8 a.C. e 7 a.C.", diz o pesquisador israelense. "A mineração em Nahas não tem a ver com o povoamento de Edom, mas com o do vale de Bersabéia [parte do reino israelita de Judá], que fica a oeste, ao longo das estradas pelas quais o cobre era transportado até o Mediterrâneo", afirma.

Finkelstein também critica o fato de Levy e seus colegas teram usado os rejeitos de mineração como base para sua estratigrafia, ou seja, as camadas que ajudam a datar o sítio arqueológico, porque eles formariam estratos naturalmente "bagunçados" de terra. E afirma que a fortaleza estudada pelos pesquisadores também é posterior ao século 10 a.C.

"Aceitar literalmente a descrição bíblica do rei Salomão equivale a ignorar dois séculos de pesquisa bíblica. Embora possa existir algum fundo histórico nesse material, grande parte dele reflete a ideologia e a teologia da época em que saiu da tradição oral e foi escrito, por volta dos séculos 8 a.C. e 7 a.C. Os dados de Nahas são importantes, mas não vejo ligação entre eles e o material bíblico sobre Salomão", arremata Finkelstein.

Levy preferiu não responder diretamente as críticas do israelense, embora um artigo anterior de sua lavra aponte que, ao contrário do que diz Finkelstein, há ligação cultural entre os habitantes das terras baixas e os edomitas do planalto. "Suponho que, toda vez que há uma interface entre textos sagrados e dados arqueológicos, é natural que o debate se torne emocional", diz ele.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Descoberta de cidade antiga pode alterar imagem de Davi bíblico

KHIRBET QEIYAFA, Israel - Perto do verde vale de Elah, onde a Bíblia diz que Davi venceu Golias, arqueólogos descobriram uma cidade fortificada de 3 mil anos que pode mudar a percepção do período em que ele liderou os israelenses. Cinco camadas de argila cobriam o que parece ser o texto hebraico mais antigo já encontrado e pode ter enorme impacto no que se sabe sobre a história da escrita e o desenvolvimento do alfabeto.
A área de cinco acres, com seus fortes, casas e portões, também será uma arma no politizado debate sobre Davi e sua capital, Jerusalém, terem sido um reino importante ou uma tribo pequena, uma questão que divide não apenas os estudiosos mas aqueles que buscam desligitimar o sionismo.
Até o momento apenas uma pequena parcela da área foi escavada e nenhuma descoberta foi divulgada ou totalmente analisada. A escavação, liderada por Yosef Garfinkel da Universidade Hebraica de Jerusalém, já causa furor entre seus colegas bem como ansiedade entre aqueles que usam a Bíblia como um guia da história e confirmação de fé.



Fortificações descobertas por arqueólogos / AP

"Este é um tipo de lugar que subitamente abre uma janela para uma área da qual não sabíamos quase nada e ele exige que repensemos o que aconteceu naquele período", disse Aren M. Maeir, professor de arqueologia da Universidade Bar-Ilan e diretor de outra escavação na região. "Essa é uma descoberta única". O período de 10 a.C. é o mais controverso na arqueologia bíblica porque foi ali que, de acordo com o Velho Testamento, Davi uniu os reinos de Judá e Israel, abrindo caminho para que seu filho Salomão construísse seu grande templo e comandasse um enorme império entre os rios Nilo e Eufrates. Para muitos judeus e cristãos, mesmo aqueles que não levam a Escritura ao pé da letra, a Bíblia é uma fonte histórica vital. Para o Estado de Israel, que considera a si mesmo como descendente do reino de Davi, evidências que atestem as histórias bíblicas têm um enorme valor. O website do Ministério do Exterior, por exemplo, apresenta o reino de Davi e Salomão em um mapa como se fossem fatos comprovados.
No entanto, os dados arqueológicos de tal reino são escassos (quaseinexistentes) e inúmeros estudiosos de hoje argumentam que ele não passou de um mito criado séculos depois. Uma grande potência, segundo eles, teria deixado rastros de cidades e atividades, além de ser mencionado por outros. Ainda assim, nada disso aconteceu na região - pelo menos até agora. Garfinkel afirma ter achado algo que muitas gerações buscaram. Ele fez duas apresentações informais no mês passado a colegas arqueólogos.Nesta quinta-feira, ele fará uma leitura formal durante uma conferência em Jerusalém.
Descobertas testadas O que ele encontrou até então impressiona. Dois potes de azeitonas encontrados foram testados para carbono-14 na Universidade de Oxford e datados entre 1050 e 970 a.C., exatamente no período que a maioria das histórias diz que Davi se tornou rei. Outros dois estão sendo testados.


Vista aérea mostra escavações na região de Khirbet Qeiyafa / AP

O especialista em línguas semíticas antigas, Haggai Misgav, afirma que a escrita sobre argila com carvão e gordura animal como tinta foi elaborada no chamado proto-Canaanite e parece ser uma carta ou um documento em hebraico, sugerindo que a alfabetização pode ter sido mais comum do que se imaginava.
Isso pode ter um papel na disputa sobre a Bíblia, uma vez que caso outros escritos apareçam irão sugerir que existia a tradição do registro de eventos que eram passados para a frente séculos antes do que se acredita que a Bíblia tenha sido escrita. Outro motivo que torna este local promissor é o fato de ter sido usado por um curto período de tempo, talvez 20 anos, e então destruído - Garfinkel especula que em uma batalha com os filisteus - e abandonado por séculos, selando as descobertas com uma uniformidade similar a de Pompéia. A maioria dos sítios são feitos de camadas de períodos diferentes, nas quais inevitavelmente há uma mistura, tornando difícil a definição da data exata dos artefatos encontrados.

Por ETHAN BRONNER

Arqueólogo diz ter encontrado o mais antigo texto hebraico

Um arqueólogo israelense, trabalhando numa colina ao sul de Jerusalém, acredita que um fragmento de cerâmica descoberto nas ruínas de uma antiga cidade contém a mais antiga inscrição em hebraico já vista, uma descoberta que poderá abrir uma importante janela para a cultura e a língua nos tempos bíblicos.

As cinco linhas, escritas há 3 mil anos, e as ruínas da fortaleza onde o fragmento foi encontrado são sinais de que um poderoso reino existia no tempo do rei Davi, disse Yossi Garfinkel, o arqueólogo encarregado da escavação em Hirbet Qeiyafa.

Outros especialistas relutam em aceitar a interpretação de Garfinkel para os achados, reveladas nesta quinta-feira, 30. As descobertas já tomam parte em um debate acalorado sobre a fidelidade da narrativa bíblica aos fatos históricos.Hirbet Qeiyafa localiza-se perto da cidade israelense contemporânea de Beit Shemesh, uma área que um doa marcou a fronteira entre os israelitas e seus inimigos, os filisteus.

O local fica sobre o vale de Elah, descrito como o local do duelo entre Davi e Golias, fica perto das ruínas da cidade natal de Golias, a metrópole filistéia de Gath.Um voluntário adolescente descobriu o fragmento recurvado de cerâmica, um quadrado de 15 centímetros, em julho. mais tarde, descobriu-se que a inscrição traz caracteres de proto-cananita, um precursor do alfabeto hebraico.

Análises de carbono 14 de material queimado encontrado na mesma camada de solo datam o fragmento de entre 1000 e 975 a.C., mesmo período descrito na Bíblia como o apogeu do reino de Davi.Outros pequenos fragmentos de escrita hebraica do século 10 a.C., mas a nova inscrição, que Garfinkel sugere que pode ser parte de uma carta, antecede a inscrição significativa seguinte por cerca de 150 anos.

Os textos hebraicos históricos mais famosos, os Manuscritos do Mar Morto, começaram a ser transcritos em pergaminho 850 anos mais tarde.O fragmento agora é mantido num cofre de universidade, onde filólogos tentam traduzi-lo, um trabalho que poderá consumir meses. Mas diversas palavras já foram identificadas, incluindo algumas que, acredita-se, significam "juiz", "escravo" e "rei".Os israelitas não eram o único povo a usar o alfabeto proto-cananita, e outros especialistas acreditam ser difícil - talvez impossível - concluir que o texto é hebraico e não uma língua aparentada. Garfinkel baseia sua identificação num verbo de três letras, significando "fazer", que segundo ele era exclusivo do hebraico.

O arqueólogo Amihai Mazar, da Universidade Hebraica, diz que a inscrição é "muito importante", por representar o mais longo trecho de proto-cananita já encontrado, mas ele diz que chamar a língua de hebraico é ir longe demais.

"A diferenciação entre as línguas nesse período continua pouco clara".Muitos estudiosos e arqueólogos defendem a idéia de que o relato bíblico do tempo de Davi exagera a importância tanto do monarca quanto de seu reino, e é basicamente um mito.Mas se a alegação de Garfinkel for comprovada, isso seria um sinal de que os israelitas teriam sido capazes de registrar a história enquanto ela acontecia, dando aos redatores da Bíblia uma fonte histórica para basear seus relatos, escritos séculos mais tarde.

Isso também significaria que os ocupantes da fortaleza onde o texto foi descoberto eram israelitas, o que ainda não foi estabelecido.

(Fonte: Estadao.com.br)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cultura & Humanismo


Esta é uma rede que trata de todos os assuntos ligados à cultura dos povos.
Qualquer pessoa pode participar desta rede. Estudantes, professores, advogados, jornalistas, músicos, artistas plásticos, poetas, escritores, pesquisadores, fotógrafos, esportistas e os que buscam conhecer assuntos culturais e ligados à história do homem no mundo.
Cada internauta que aqui se registra é um produtor de conteúdo, seja de textos, fotos, músicas, análises literárias, temas históricos etc.
A rede Cultura e Humanismo não discrimina nenhum tipo de assunto, que pode ir de cultura pré-histórica a temas esportivos.
Fiquem ligados em nossos temas, convidem seus amigos para participar, colaborem com a Rede, publiquem textos, enviem e acompanhem notícias sobre eventos culturais e troquem idéias com os outros integrantes.

Cultura e Humanismo é nossa Rede! Cultura e Humanismo é nosso espaço cultural e humano!

Visite o site http://culturahumana.ning.com/ , cadastre-se e participe!
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Brasileiro comemora vitória no Ig Nobel, o Nobel da pesquisa bizarra

Arqueólogo da USP mostrou que tatus bagunçam sítios pré-históricos.Sem dinheiro, ele não foi à premiação, mas continua estudos.


Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

"Deve ter gente que fica constrangida com o prêmio, mas eu achei muito legal", declarou ao G1 o arqueólogo Astolfo Gomes de Mello Araujo, da USP, no dia seguinte à sua consagração como um dos vencedores do Ig Nobel. O prêmio, organizado pela revista de humor científico "Annals of Improbable Research" (Anais da Pesquisa Improvável), vai para "pesquisas que não podem, ou não devem, ser reproduzidas" e para experimentos que "primeiro fazem as pessoas rirem e depois as fazem pensar". O primeiro Nobel da pesquisa esdrúxula vencido por um brasileiro é fruto do trabalho de dois arqueólogos, vários tatus e uma multidão de crianças empolgadas.



O arqueólogo Astolfo Araujo, primeiro vencedor brasileiro do Ig Nobel (Foto: Arquivo pessoal)


Crianças? Sim, porque o experimento de Araujo e de seu colega José Carlos Marcelino, do Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo, aconteceu em pleno Zoológico de São Paulo, à luz do dia e em dia de visitas. A dupla simplesmente enterrou pedras lascadas e pedaços de cerâmica no recinto ocupado pelos tatupebas (Euphractus sexcinctus) e esperou 50 dias para reescavar o local e ver o resultado. "As crianças não paravam de gritar 'Tio, o que é isso?' enquanto a gente escavava. Foi uma bagunça", recorda Araujo, que acaba de passar em concurso para integrar a equipe do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP.

O resultado foi conclusivo: os arqueólogos deveriam fugir dos tatus como o diabo da cruz. Isso porque aparentemente os mamíferos escavadores bagunçam totalmente a estratigrafia, ou seja, a sucessão de camadas que constituem um sítio arqueológico. Isso é uma potencial dor de cabeça porque a estratigrafia ajuda os arqueólogos a estimar a idade relativa dos artefatos encontrados num dado local. As garrinhas do tatupeba podem muito bem fazer com que uma ponta de flecha de 200 anos pareça ter 2.000 anos, digamos.



Tatupeba: o vilão dos sítios arqueológicos finalmente desmascarado (Foto: Reprodução)


Segundo Araujo, a equipe do IgNobel já estava dando sinais de que ele seria um dos ganhadores desde junho. "Eles me mandaram um e-mail querendo discutir meu trabalho, mas eu vi a assinatura da pessoa com o site do prêmio e logo me dei conta de que tinha a ver com o Ig Nobel", conta ele. Sem dinheiro de financiamento, ele não pôde ir à premiação, que acontece todos os anos num teatro da Universidade Harvard (EUA).

O arqueólogo defende os ganhadores do prêmio. "Não é porque é engraçado que não é boa ciência. Por exemplo, uma das pesquisas vencedoras, aquela das strippers [que ganhou na categoria Economia, mostrando que as dançarinhas de strip-tease recebem mais gorjetas quando estão no período fértil], é muito interessante para entender a relação entre a biologia e o comportamento humano. Isso é superlegal", argumenta Araujo.

Após a vitória, Araujo lembrou a figura de Faiçal Simon, superintendente do Zoológico de São Paulo, já falecido, que deu apoio aos arqueólogos para realizar o experimento. "Era uma pessoa fantástica, entendia tudo de animais. Se não tivesse morrido de repente, certamente daria contribuições científicas até os 90 anos de idade", diz.

Tatus à parte, o pesquisador continua tentando entender a estratigrafia dos sítios arqueológicos brasileiros, em parceria com o antropólogo Walter Neves, também da USP, um dos principais especialistas do mundo na chegada do ser humano às Américas. Com isso, Araujo tem trabalhado na região de Lagoa Santa (MG), área onde estão alguns dos sítios mais antigos do continente, com cerca de 11 mil anos de idade.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Homem, o Céu e suas crenças – O Disco de Nebra como fonte de informações astronômicas e mitológicas para o Arqueoastrônomo.

Por: Leonardo Perin– Projekt Mittealter – UFRJ
Orientador: Prof. Dr. Álvaro Alfredo Bragança Jr. - Faculdade de Letras/PPGHC – UFRJ.

Resumo
Há 3600 anos, em terras que posteriormente seriam germânicas, um povo lá assentado confeccionou, entre uma série de artefatos, um disco estelar (SCHLOSSER, 2003). Após as peripécias de sua descoberta em 1999, iniciaram-se as tentativas de interpretação do achado. O disco hipoteticamente traria em suas representações marcações astronômicas de uso prático daquele povo: passagem dos solstícios, equinócios, horizonte, constelações visíveis no céu e uma figura mitológica: A Barca Solar. Tal figura, todavia, é recorrente na Idade do Bronze, aparecendo desde entre os egípcios, na Barca Solar de Khufu (JENKINS, 1980), até os escandinavos, na Carruagem Solar de Trudholm (LINDOW, 2002). Esta pesquisa, em fase inicial, visará analisar a partir de uma perspectiva da História Comparada (THEML & BUSTAMANTE, 2004) a relação entre Mitologia e Astronomia expressos no Disco de Nebra, trabalhando tanto com conceitos da Arqueoastronomia Verde quanto com a da Arqueoastronomia Marrom (WHITLOCK, 1995).
Introdução
A Arqueoastronomia e suas abordagens distintas
Com o passar dos séculos, as necessidades do Ser, em relação às análises do mundo que o cerca, modificam-se. As visões históricas e arqueológicas passam a abranger perspectivas e possibilidades que antes não eram levadas em conta. E de onde nascem tais necessidades? A preocupação em se trazer para o mundo acadêmico um estudo mais fiel possível da realidade cognoscível e o esforço em se apresentar os conceitos, fatos e pensamento do passado são o ponto de partida para o desenvolvimento dessas necessidades. Partindo desses conceitos queremos trazer a questão do surgimento da Arqueoastronomia. Num primeiro momento, é de se estranhar o fato de que duas ciências aparentemente distintas e desconexas, a Arqueologia e a Astronomia, possam se fundir e compartilhar métodos, buscas e descobertas. A Arqueologia preocupa-se com a análise do homem em relação aos vestígios enterrados, escondidos embaixo do solo, enquanto a Astronomia olha na direção oposta, para o céu, para o além do horizonte, atrás de evidências do funcionamento do universo e de como esse mecanismo celeste nos pode ser útil.
Todavia, assim como hoje vivemos sobre o solo e deixamos nele nossos vestígios, também utilizamos o céu como ferramenta guiadora da nossa vida, regulando as plantações, as marés e servindo de mapa para os navegantes. Com os povos que nos antecederam no tempo não ocorreu de forma diferente. Assim como eles ocuparam e exploraram a terra em que se assentaram, também mantiveram estreitas relações com os sinais celestes e também por eles pautavam sua sociedade. Após tomar consciência de que o homem antigo estava chumbado ao solo, mas com os olhos nos céus, nasceu daí a necessidade de se estudar, através dos vestígios deixados por esses povos, a importância que o céu exercia em suas atividades e crenças.
Após a Conferência sobre Arqueoastronomia da União Astronômica Internacional em Oxford em 1981, definiu-se com mais precisão o objeto do estudo do arqueoastrônomo, ao mesmo tempo em que se deu a cisão do pensamento arqueoastronômico em duas escolas: a Arqueoastronomia Verde e a Arqueoastronomia Marrom. As cores derivam da cor da capa em que os métodos foram publicados. A primeira trata da metodologia arqueoastronômica na Europa e a última no Novo Mundo. Tal cisão deu-se devido as diferentes fontes de estudos arqueológicos à disposição em cada um dos continentes.
Na Europa, o foco estava direcionado ao estudo dos alinhamentos dos sítios arqueológicos datados da pré-história, ou seja, mais direcionado aos aspectos astronômicos que arqueológicos. O objetivo desses cientistas era saber a precisão e veracidade desses alinhamentos no plano astronômico-tecnológico e, dessa forma, ficou pautado o pensamento arqueoastronômico europeu, visando descobrir os usos sociais e técnicos dos vestígios encontrados nos assentamentos. Já nas Américas, principalmente na América Latina, motivada pela grande quantidade de registros etnográficos, a Arqueoastronomia direcionou-se ao estudo dos elementos culturais, mitológicos e étnicos presentes nos artefatos e construções encontradas nos sítios arqueológicos, voltando-se assim ao estudo da relação dos elementos celestes e sua associação com padrões culturais, religiosos e mitológicos. Em 1990, pretendeu-se a criação da Arqueoastronomia Azul, que tangenciaria especificamente aos assuntos ligados à Etnoastronomia, ou a relação entre o céu e os povos no presente.
O Disco Solar de Nebra
Sua descobertaEm 23 de fevereiro de 2002, a polícia da Suíça, em uma misteriosa ação no Hotel Hilton de Basel, apreendeu uma descoberta do início da Idade do Bronze, aproximadamente 1600 a.e.c, que havia sido subtraída numa escavação arqueológica clandestina em Sachsen-Anhalt. Nela, localizou-se o agora tão famoso “Disco Solar de Nebra”.
Após uma investigação detalhada pelo Departamento Criminal de Magdeburg o achado foi entregue ao escritório do Departamento Estatal de Arqueologia de Halle, dirigido pelo Dr. Harald Meller. Os arqueólogos locais, então, confiaram minúncias da investigação a dois cientistas externos: o prof. Pernicka da Bergakademie Freiberg ficou encarregado da pesquisa em Arqueometalurgia e o prof. Dr. Schlosser com as análises astronômicas. Simultaneamente, uma exibição aberta foi preparada após a alta pressão geral exercida pelo interesse avultado no Disco Estelar. Com um mês após a devolução do Disco ao Museu de Pré-História de Halle, uma exposição de três semanas pôde ser aberta e foi visitada por mais de 15.000 pessoas.
Independentemente da posterior despenalização do roubo pelas autoridades legais, pois foi somente em Basel que seu último receptador foi preso, tanto sob a ótica jurídica quanto sob a ótica arqueológica, o conhecimento da exata localização da descoberta era, no entanto, também importante e somente os escavadores poderiam saber essa localização. Em julho de 2002, os raptores puseram-se à disposição das autoridades legais, motivados pela grande pressão exercida pela busca que fora realizada. Desta forma, o local original da descoberta tornou-se conhecido – o cume do monte Mittelberg nas cercanias de Nebra junto ao rio Unstrut. Tal revelação foi para os cientistas uma informação extremamente relevante, pois a hipótese daquele ter sido o local da descoberta já se afigurava como plausível, tanto sob uma perspectiva edológica quanto sob uma perspectiva astronômica.
Aproximadamente um mês depois – e sem ter passado nem metade do ano após a apreensão do Disco – iniciaram-se as primeiras escavações arqueológicas no local da descoberta.



O Disco Solar é sem sombra de dúvidas a mais importante peça dos achados recuperados em Basel. Contudo, também os outros objetos são arqueologicamente significativos. As duas espadas ornadas em ouro já se protraem entre todos os achados pré-históricos. Com base em suas características tipológicas, elas permitem a datação de todos os outros achados do conjunto (o Disco Solar inclusive) como sendo pertencentes ao estágio A3 da Idade do Bronze, conseqüentemente, como sendo de cerca de 1600 a.e.c. Além disso, é interessante notar que o estilo das espadas indica a região hungárico-romênica, o que ainda não se permite que se diga que os discos foram de lá importados. No mínimo, havia na Baixa Idade do Bronze um contato cultural daquela região com o Sudoeste da Europa. Dois machados de flanco, um cinzel e um fraturado bracelete espiralado completam por seu turno, o conjunto dos achados.

O Disco estelar possui cerca de 32 cm de diâmetro, 2 kg de massa e uma espessura variável de alguns milímetros. Sua composição consiste de um tipo de bronze azinhavrado. Sua profunda coloração verde (malaquita) seguramente não é a cor original, porém resultado dos quase quatro mil anos em que passou enterrado. Mesmo antes da confissão dos escavadores, a malaquita era um considerável indício da autenticidade do Disco e que este não se tratava de uma falsificação.




A malaquita do Disco é altamente cristalina, e tal concentração demanda tempo para se formar. O trabalho de falsificadores produz apenas pequenos cristais. Outros indícios da autenticidade do Disco foram a ausência de isótopos radioativos de chumbo-210, que estão sempre presentes no bronze moderno e o módico preço de 30.000 marcos alemães que foi pedido pelos receptadores. Para esta relativamente módica soma é difícil que alguém se esforce em fazer uma falsificação de aparência convincente de bronze e ouro e que ainda forneça conjuntamente duas esplendorosas espadas.

Metodologia da Arqueoastronomia Verde: Os Elementos Astronômicos do Disco:

Para o estudioso da história da Astronomia, esse achado é, entretanto, singular, pois traz indiscutivelmente as representações do Sol, da Lua e das estrelas como vistas em um tempo muito antigo. Embora o Disco Estelar nesse meio tempo tenha se tornado mundialmente famoso e que semanalmente surjam novas hipóteses, não se pode dissertar muito sobre ele além das propostas astronômicas apresentadas oficialmente. Mesmo para renomados símbolos arqueoastronômicos, com Stonehenge, há uma série de interpretações não-astronômicas que merecem ser ainda refletidas.




Naturalmente há outras antigas representações das estrelas celestes, por exemplo, nos antigos reinos do Egito, mas, elas mostram representações esquemáticas das estrelas puramente como caracteres ornamentais. O Disco Estelar de Nebra, todavia, retrata – mesmo que também de forma idealizada – uma situação astronômica real.

Quando o autor se ocupou do disco, não aplicou muito seu interesse principal no inventário de formas astronômicas, embora, “Sol, Lua, Plêiades e estrelas” possam ser claramente distinguidas como em um desenho infantil. No entanto, pode-se rapidamente reconhecer que não foi esse o objetivo do autor do disco.

Prova de que o disco indiscutivelmente mostra um motivo astronômico são as pequenas chapas de ouro representando estrelas. Das originais hoje apenas 29 estão ainda presentes – motivo para hipóteses incorretas de que se trataria de um calendário lunar. Uma estrela caiu por causa da inabilidade dos escavadores ao manusear o disco, mas a chapa de ouro foi posteriormente recolocada em sua posição de origem. Duas chapas de ouro originalmente presentes foram removidas ainda na Antigüidade, antes de um dos arcos da borda ter sido inserido, conforme mostrado pelos exames de Raio-X. Os outros dois arcos sobrepõem na verdade duas pequenas estrelas e teriam um objetivo. Provavelmente por motivos técnicos, a estrela teria sido mudada um pouco mais para o meio do disco. Reconhece-se, por isso, que o Disco Estelar de Nebra não foi puramente planejado em um conceito fundamentalmente único, pois ela possui sua própria história.Ao todo 32 estrelas adornam o Disco. Sete delas formam um grupo particular, 25 delas distribuem-se sobre o resto da superfície. Naturalmente vê-se primeiramente uma carta celeste e é possível provar-se que talvez sejam realmente representações de estrelas. Isso não acontece, e há uma razão simples. A identificação de nossas constelações depende de fatores como a localização do observador, o momento em que o Cosmo é observado e como as estrelas estão dispostas no céu, de acordo com a direção do observador. Tal disposição os matemáticos conhecem bem. As estrelas reúnem-se em aglomerados, que nós chamamos amigavelmente de “constelações”.Em meio deste caos figura o grupo de sete estrelas. Dificilmente resta alguma dúvida de que esta é uma representação das Plêiades. Partindo da certeza de que esta é a representação das Plêiades, torna-se fácil identificar outros possíveis elementos celestes: O discreto aglomerado estelar aberto de Præsepe (M441)1 na constelação de câncer e a pequena constelação de Delphinus (NGC 7006)2.


É possível também, a partir da identificação das Plêiades (que compõem a constelação de Taurus), se reconhecer outras constelações presentes: No centro do Disco, entre as duas formas que entendemos como o Sol e a Lua, vê-se a constelação de Cassiopéia; à esquerda do Disco vê-se parte da Ursa Maior, formado pelo asterismo da “Grande Carruagem”, forma pela qual ficou famosa a constelação na Idade Média, utiliza-se hoje em dia nas observações astronômicas guiar-se pelo braço da carruagem para encontrar a estrela Arcturus, que também pode ser vista no Disco; na extrema direita do Disco vê-se parte da constelação de Andrômeda; dentro da “Barca Solar” encontra-se também parte da constelação de Órion, representado pelo cinturão das três estrelas mais visíveis dessa constelação: Alnitak, Alnilam e Mintaka. Curiosamente, a Astronomia Moderna tende a usar o cinturão de Órion para localizar outras estrelas que também aparecem no Disco. Sirius pode ser encontrado a Este de Alnitak e Procyon alinhado com a estrela Betegeuse, que se situa também na constelação de Órion. Por fim, ainda podemos observar a presença de duas das três estrelas do Triângulo Estivo: Deneb (constelação de Cygnus) e Vega (Constelação de Lira). Tais estrelas formam junto com a Altair, da constelação de Aquila, o Triângulo de Verão que aparece ao Zênith no Hemisfério Boreal durante os meses de Verão.


Projeção por Software do céu de Nebra mostrando o alinhamento com o plano equatorial celeste em 1600 a.e.c




Projeção por Software do Eixo da Eclíptica no céu de Nebra em 1600 a.e.c.

De uma incomensurável segurança é a identificação de ambos os arcos laterais como indicadores da linha do horizonte. Seu ponto terminal gera um ângulo de cerca de 82°. Isto corresponde ao percurso do Sol ao longo do ano nos horizontes orientais e ocidentais para a área geográfica situada na latitude que passa por Sachsen-Anhalt. Fossem puramente ornamentais, os arcos laterais teriam sido gerados com um ângulo de 90°. Existem outras representações encontradas na América Latina e na Inglaterra que exibem também o percurso do Sol naquelas respectivas latitudes.

Analisando o alinhamento das constelações e dos arcos laterais, podemos depreender igualmente a marcação da passagem dos Solstícios e dos Equinócios. Partindo do ponto inferior do arco do horizonte ocidental e traçando uma linha reta até o ponto superior do arco do horizonte oriental, temos a passagem do Sol no Solstício de Inverno e partindo-se em linha reta do ponto inferior do arco oriental até o ponto superior do arco ocidental, encontramos a passagem do Sol no Solstício de Verão. Na reta central do Disco teríamos a passagem do Sol nos Equinócios de Outono e Primavera.
Com isso descrito, ainda sobra uma hipótese não resolvida para o Astrônomo. A representação do Sol também poderia denotar uma Lua cheia, e o crescente uma das fases de escuridão entre o Sol e Lua. É exatamente entre os grandes objetos visíveis no disco que paira a dúvida. O par representa indubitavelmente um motivo astronômico, que certamente tem algo a ver com o Sol e a Lua. Ambos trafegam ao longo da Eclíptica – o Sol com precisão absoluta e a lua com um afastamento de 5º. Também ambos visitam as Plêiades, como realmente ocorre.

Metodologia da Arqueoastronomia Marrom: elementos mitológicos no Disco:

Iniciamos agora as considerações a respeito das possíveis análises dos elementos mitológicos presentes no Disco Estelar de Nebra. Deter-nos-emos, todavia, apenas na representação da Barca Solar.

Ao longo de toda a História registrada podemos notar a presença de um culto ao Sol e sua importância para os povos, chegando mesmo a ocorrer registros de um culto ao desaparecimento deste. As razões desta importância são óbvias: Agricultura, Calendário, Navegação etc. dependem inteiramente da presença e da passagem desse astro no Céu. Entretanto, uma forma muito específica de representação de uma deidade solar vem sendo compartilhada ao longo dos aevos desde o período Neolítico: o Sol navegando pelo espaço, sobre uma Barca.

As primeiras evidências apontáveis são alguns petróglifos do Neolítico. Logo após, encontramos alguns registros mais substanciosos: representações de Barcas Solares entre os povos de Cultura de Urnas de Campo. O culto à deusa Sunna na mitologia nórdica; à deusa Surya entre os Vedas, diversas barcas solares são encontradas ao longo da história das dinastias egípcias, entre elas a Barca Solar de Khufu e representações de Barcas levando Rá ou Hórus; o Culto a Hélios e a Phaëton na Grécia e ao Sol Invictus em Roma.





Todavia, nos fixar-nos-emos nos detalhes ligados ao mito da Barca Solar segundo a mitologia nórdica, de acordo como relatado na Edda Poética, na Edda em Prosa de Snorri Sturluson e também de acordo com o registro fornecido por um encantamento escrito em Althochdeutsch (Antigo Alto Alemão) chamado de Encantamento de Merseburg, que tinha como objetivo curar cavalos. De acordo com o mito, Sól, Sunna, Sonne ou Sowillo seria irmã de Sinthgut e de Máni, filha de Mundlifari e que estes tinham como obrigação navegar pelos céus dia e noite para contar os anos para os homens.
Registro de acordo com o Encantamento de Merseburg:3

Phol ende uuodan
uuorun zi holza.
du uuart demo balderes uolon
sin uuoz birenkit.
thu biguol en sinthgunt,
sunna era suister;
thu biguol en friia,
uolla era suister;
thu biguol en uuodan,
so he uuola conda:
sose benrenki,
sose bluotrenki,
sose lidirenki:
ben zi bena,
bluot zi bluoda,
lid zi geliden,
sose gelimida sin.
Phol4 e Wotan
cavalgaram para as florestas,
então o potro de Baldur
quebrou seu pé.
Então Sinthgut o encantou,
e assim fez Sunna sua irmã,
Então Freya o encantou.
e assim fez Fulla sua irmã,
Então Wotan o encantou,
conforme ele poderia.
Se um osso perder,
se o sangue perder,
se um membro perder:
osso com osso,
sangue com sangue,
membro com membros,
que se unam.
Registro de acordo com a Edda Poética (Stanza 23) :5

Mundilfari heitir,
hann er mána faðir
ok svá Sólar it sama;
himin hverfae
þau skulu hverjan dag
öldum at ártali.

Mundilfari ele se chama,
que de Máni é pai
e gerou Sunna também;
e girar os céus
todo dia eles devem
como contagem do tempo para os homens.
Registro de acordo com a Edda em Prosa: 6

XI. Frá Sól ok Mána
Þá mælti Gangleri: "Hversu stýrir hann gang sólar eða tungls?"Hárr segir: "Sá maðr er nefndr Mundilfari, er átti tvau börn. Þau váru svá fögr ok fríð, at hann kallaði son sinn Mána, en dóttur sína Sól ok gifti hana þeim manni, er Glenr hét. En goðin reiddust þessu ofdrambi ok tóku þau systkin ok settu upp á himin, létu Sól keyra þá hesta, er drógu kerru sólarinnar, þeirar er goðin höfðu skapat til at lýsa heimana af þeiri síu, er flaug ór Múspellsheimi. Þeir hestar heita sv, Árvakr ok Alsviðr, en undir bógum hestanna settu goðin tvá vindbelgi at kæla þá, en í sumum fræðum er þat kallat ísarnkol.Máni stýrir göngu tungls ok ræðr nýjum ok niðum. Hann tók tvau börn af jörðunni, er svá heita, Bil ok Hjúki, er þau gengu frá brunni þeim er, Byrgir heitir, ok báru á öxlum sér sá, er heitir Sægr, en stöngin Simul. Viðfinnr er nefndr faðir þeira. Þessi börn fylgja Mána, svá sem sjá má af jörðu."

Então disse Gangleri: Como se dá o governo do Sol e da Lua?Hárr respondeu: Um certo homem chamado Mundilfari tinha dois filhos; eles eram muito educados e graciosos, então ele chamou o filho de Máni7 e a filha de Sól8 , e a casou com Glenr. Mas os deuses eram irascíveis e insolentes, então ele tomou o irmão e a irmã e lançou-os aos céus; Então Sól passou a ser puxada pelos cavalos que estavam atados à sua carruagem que fora feita pelos deuses para iluminação do mundo com a substância brilhosa que emana de Muspellheim9 . Os cavalos eram chamados de "O Despertar Matutino"10 e "Toda a Força"11 ; e sob seus ombros os deuses colocaram dois foles para refrescá-los, mas em alguns registros isso é chamado de 'ferro-frio'. Máni segue o caminho lunar, e determina seu crescimento e diminuição. Ele tomou da Terra duas crianças chamadas Bil e Hjúki, e foram entregues ao famoso Byrgir, sustentando sobre seus ombros o barril chamado Sægr, e o pólo Simul12 . O nome de seus pais é Vidfinnr. Essas crianças seguem a Lua, como pode ser visto da Terra ainda hoje.

Os registros nórdicos são os mais completos existentes da história do Setentrião que narra o mito da Barca Solar. Paralelamente ao disco ainda podemos apontar a representação encontrada na Carruagem Solar de Trudholm, construída em algum momento do século 18 a.e.c.. O artefato mais uma vez representa a Deusa Solar sendo puxada pelos cavalos supracitados, figura recorrente do norte da Europa.





Conclusão
Considerando que o Disco Estelar de Nebra reproduzia uma situação astronômica real, é mister refletir o que viria a ser a marcação da Barca? O que, astronomicamente, teria dado origem à essa interpretação? Ao analisarmos as projeções astronômicas feitas em softwares profissionais de representação celeste, encontramos, alinhada com as constelações do disco, uma das curvas da Via Láctea, abraçando o cinturão de Órion, justamente como representado no Disco. Esta presença leva-nos a justificar que aqueles que confeccionaram o disco poderiam ter visto a Via Láctea alinhada ao eixo galáctico no céu e a interpretado como sendo a barca de sua divindade.




Projeção por Software do céu de Nebra mostrando o alinhamento com o plano galáctico em 1600 a.e.c

Por fim, tal elemento nos traz o elo que nos permite associar a importância dos elementos mitológicos para a compreensão dos elementos astronômicos e de sua trajetória na esfera celeste. Desta forma, temos também uma ligação entre as metodologias atuais de se pensar a Arqueoastronomia. De um lado, a comprovação astronômica e pari passu as interpretações culturais e religiosas, equiparando em importância ambas as escolas no sentido de se obter uma mais precisa compreensão da relação que os povos antigos tinham com o céu.


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Notas:
1 Catálogo Messier Nº 44.
2. New General Catalogue N. 7006.
3 Tradução Nossa.
4 Possível nome de Baldur.
5 Tradução Nossa.
6 Tradução Nossa.
7 Lua.
8 Sol.
9 País do fogo, casa da desolação.
10 Arvak, Frühwach
11 Alsvid, Allgeschwind.
12 Possivelmente “eterno”.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Maior dinossauro brasileiro está em exposição em Botafogo

O Uberabatitan riberoi foi descoberto durante obra em estrada em Uberaba.O animal do período Cretáceo tem aproximadamente 65 milhões de anos.



Réplica de dinossauro de porte médio tem 12 metros de comprimento (Foto: Alba Valéria Mendonça / G1)



Quem quiser descobrir um pouco mais sobre as origens da vida no Brasil tem um programa imperdível. Até o dia 24 de outubro estará em exposição na Casa da Ciência, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a réplica do esqueleto do maior e mais antigo habitante do território nacional que se tem conhecimento: o dinossauro Uberabatitan ribeiroi, de aproximadamente 65 milhões de anos. A réplica paleontológica – feita a partir de 37 ossos originais descobertos em escavações em Uberaba, em Minas Gerais – é de um titanossauro de porte médio. O esqueleto tem 12 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e pesava entre 12 e 16 toneladas. Os maiores poderiam chegar a 20 metros de comprimento e ter mais de cinco metros de altura.Ao lado do titanossauro, foi instalada uma réplica artística – sem a cópia de ossos originais – de um abelissauro, que segundo o paleontólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, convivia com o Uberabatitan ribeiroi, na região mineira.“A descoberta do maior dinossauro brasileiro vai ajudar a ciência a desvendar os mistérios da origem das espécies e sua evolução na Terra”, disse o paleontólogo, do Museu dos Dinossauros, de Uberaba.

Onde ver

A exposição é aberta gratuitamente ao público de terça a sexta, das 9h às 20h, e sábados e domingos, das 10h às 20h. A Casa da Ciência fica na Rua Lauro Muller, número 3, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.


Globo on line

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cientistas datam construção de Stonehenge de 2300 a.C.


Arqueólogos dataram a construção de Stonehenge, o conhecido conjunto pré-histórico de círculos de pedra na planície de Salisbury, no sul da Inglaterra, para o período em torno de 2300 a.C. - um passo importante para descobrir como e por que o misterioso monumento foi criado. A data, definida pelo método de datação por radiocarbono, é considerada a mais precisa já realizada e significa que as pedras foram colocadas no local 300 anos depois do que se imaginava. A determinação da data foi o principal resultado de uma grande escavação no local por pesquisadores britânicos.

Por séculos, arqueólogos se maravilham com o monumento, já que análises minerais indicam que o círculo original de pedras gigantes foi transportado à planície de um local a 240 km de distância, no sul do País de Gales. Essa façanha fez com que muitos acreditassem que as pedras tivessem "poderes". Até agora, acreditava-se que a construção do primeiro círculo datava do período entre 2600 a.C. a 2400 a.C. Para definir a data exata, o professor Tim Darvill (Universidade de Bournemouth) e o arqueólogo Geoff Wainwright receberam permissão das autoridades para escavar um pedaço de terra de apenas 2,5 m x 3,5 m entre dois círculos das pedras gigantes. A escavação produziu cerca de 100 peças de material orgânico das bases das pedras, agora enterradas. Dessas peças, 14 foram enviadas para a Universidade de Oxford para uma análise com radiocarbono. O resultado indicou a construção para o período "entre 2400 a.C. a 2200 a.C" - o ano de 2300 a.C. foi tirado como uma média. Uma data ainda mais precisa será revelada nos próximos meses. "É uma sensação incrível, um sonho se tornando realidade", disse Wainwright, ex-arqueólogo-chefe da English Heritage.

Centro de curas
Darvill e Wainwright acreditam que Stonehenge era um centro de curas – “uma Lourdes neolítica” para a qual os enfermos viajavam para serem curados pelos poderes do arenito cinzento, conhecido como “pedras azuis”. Eles apontam para o fato de que “um grande número” de cadáveres encontrados em túmulos perto do local mostra sinais de doenças e ferimentos físicos sérios e uma análise dos dentes mostra que “cerca de metade” dos corpos era de pessoas que “não eram nativas da região de Stonehenge”. Mas sem uma data precisa para a construção de Stonehenge tem sido difícil provar essa ou qualquer outra teoria. Curiosamente, o período estabelecido pelo método de radiocarbono bate com a data do enterro do chamado "Arqueiro de Amesbury", cujo túmulo foi descoberto a cerca de 4,8 km de Stonehenge. Alguns arqueólogos acreditam que ele seja a chave para entender a razão pela qual Stonehenge foi construído. Os restos mortais dele foram datados para o período entre 2500 a.C. e 2300 a.C. Análises do cadáver do arqueiro e de artefatos encontrados no túmulo dele indicam que ele seria um homem rico e poderoso, com conhecimento de trabalho com metais, e que tinha viajado da região dos Alpes europeus para Salisbury por razões desconhecidas. Análises também indicaram que ele sofria de um ferimento no joelho e de um problema dentário potencialmente fatal, o que fez com que Wainwright e Darvill acreditassem que o arqueiro tenha ido para Stonehenge em busca de cura.

Debate
Mas outros pesquisadores acreditam que não se pode descartar outras teorias para a construção do monumento. “A teoria de que foi um centro de curas é plausível, mas eu não acredito que possamos descartar outras – que o templo era um ponto de encontro entre a terra dos vivos e a dos mortos, por exemplo”, disse Andrew Fitzpatrick, da Wessex Archaeology. “Eu não estou convencido de que o 'Arqueiro de Amesbury' tenha vindo para Stonehenge para ser curado. Eu acredito mais que ele era um metalúrgico que viajou para o local para vender seus conhecimentos”, afirmou. “De qualquer forma, ainda não está claro se o enterro dele aconteceu mesmo antes de Stonehenge”, concluiu.

BBC

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Múmias de mulheres sacrificadas são encontradas no Peru


Múmia de mulher encontrada em escavação peruana (Foto: BBC)

Arqueólogos no Peru afirmam que acreditam ter encontrado partes da ossada de uma mulher grávida que foi sacrificada, em uma tumba pré-Inca na província de Lambayeque, no norte do país.Apesar de sacrificios humanos não serem raros nas civilizações pré-hispânicas no Peru, o sacrificio de uma mulher grávida não era comum porque existia uma grande admiração pela fertilidade.No mesmo local, também foram encontrados os corpos de outras nove mulheres.A tumba em Lambayeque é uma de três descobertas arqueológicas recentes de civilizações pré-hispânicas no Peru. A segunda descoberta fica nas ruínas de Cahuachi, ao sul de Lima.





Restos de mulher mumificada e encontrada no Peru (Foto: BBC)

Cahuachi era um local de cerimônias para a cultura Nazca, entre 300 e 800 d.C. No local, foram encontrados tecidos, cerâmicas e dois corpos que também foram sacrificados para agradar os deuses, segundo arqueólogos.A terceira descoberta foi nas ruínas de Sacsayhuaman, perto de Cuzco, onde foram encontradas oito tumbas e mais de 20 esqueletos de pessoas que podem também ter sido sacrificadas em rituais.

BBC

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Templo de Ramsés II é descoberto no Cairo


Ruínas tinham pedaços de estátua do famoso faraó.Achado raro foi anunciado nesta segunda pelas autoridades.


Da France Presse


Uma equipe de arqueólogos egípcios desenterrou no Cairo um templo de Ramsés II e pedaços de uma estátua do conhecido faraó, uma descoberta rara na capital do Egito, informou a agência oficial MENA nesta segunda-feira (15).O templo construído por Ramsés II, um dos mais famosos faraós, membro da XIX dinastia (século XIII antes de Cristo), foi encontrado na região de Ain Shams, no leste do Cairo, frisou a agência.A equipe também descobriu pedaços de uma estátua gigante de Ramsés II", destacou a MENA.

foto arquivo

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Área de 40 km em Roraima tem 55 sítios arqueológicos com arte rupestre

Para pesquisador, número de sítios chega a 155 em um raio de 55 km. Apesar da fartura de material, faltam estudos sobre origem das pinturas.

Fausto Carneiro Do G1, em Pacaraima


Um trecho de 40 quilômetros entre duas reservas indígenas de Roraima concentra uma das maiores coleções de arte rupestre do mundo. Pelo menos 55 sítios arqueológicos com pinturas em pedras e cavernas e inscrições em baixo relevo estão catalogados. Em alguns sítios, instrumentos de pedra foram datados em 4.500 anos.

Desenhos encontrados em um dos sítios arqueológicos entre as reservas indígenas São Marcos e Raposa Serra do Sol, em Roraima (Foto: Ari Silva/Arquivo pessoal)


Segundo a professora Elena Fioretti, diretora do Museu Integrado de Roraima, em Boa Vista, o mapeamento arqueológico foi feito entre 1986 e 1989 por uma equipe liderada pelo arqueólogo Pedro Augusto Mentz Ribeiro, das Faculdades Integradas de Santa Cruz do Sul, do Rio Grande do Sul. Desde então, os achados aguardam estudos.

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“Isso é uma fração do que foi estudado. Além das pinturas, que são impressionantes, ainda há as inscrições em baixo relevo”, afirmou Elena. De acordo com ela, o estado de Roraima é rico em arte pré-histórica. “No sul [do estado] tem, a leste e a oeste também”, disse. “É só cavar um buraco para fazer uma piscina que a gente encontra grande quantidade de material.”

Desenhos pré-históricos em caverna na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima (Foto: Ari Silva/Arquivo pessoal)
Apesar da abundância de material arqueológico, faltam pesquisadores para estudar a origem dos homens que viveram na região e o signficado dos desenhos. O cenário pode mudar a partir do ano que vem, quando um doutorando brasileiro em uma universidade dos Estados Unidos deve iniciar um trabalho de pesquisa na região em consórcio com o museu. As figuras mais comuns encontradas nos sítios arqueológicos da região são figuras geométricas e de animais. Alguns dos desenhos formam linhas complexas, outros são compostos apenas de traços e pontos. No museu, há uma amostra do material. Dois painéis de 2 metros por 1,80 metro com reproduções em tamanho natural de alguns desenhos mostram a variedade do material da região. As reproduções foram feitas a partir de decalques das pinturas coletados pela equipe do professor Mentz, que morreu há dois anos. Segundo o professor de história da Amazônia Reginaldo Gomes de Oliveira, da Universidade Federal de Roraima, os desenhos no estado foram feitos provavelmente por grupos que deram origem às etnias indígenas que habitam a região, como macuxis, wapixanas e taurepangs.


O pesquisador Ari Silva mostra reprodução de desenho encontrado em sítio arqueológico (Foto: Fausto Carneiro/G1 )
Mais sítios
O pesquisador Ari Silva, que trabalhou no plano de manejo do Parque Nacional de Roraima, disse ter feito o registro de 155 sítios com pinturas ou indícios da presença humana pré-histórica em uma região um pouco maior que a estudada pelo professor Mentz Ribeiro nos anos 80. Silva acredita que algumas das inscrições revelam um alfabeto primitivo, de mais de 8 mil anos, o que seria o primeiro registro de escrita de um povo nativo das américas. Em sua casa, em Pacaraima, na divisa com a Venezuela, ele mantém mapas com a indicação dos sítios arqueológicos que visitou, com reprodução das pinturas e fotografias.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Islã medieval era superpotência científica, dizem especialistas


Manuscrito de Ibn Sahl descreve a lei da refração da luz, ou lei de Snell, um dos fundamentos da óptica (Foto: Reprodução)


Muçulmanos avançaram na matemática, astronomia e medicina.Razões de declínio após século 16 dividem os historiadores.


Reinaldo José Lopes Do G1, em São Paulo

Uma sociedade multicultural, relativamente tolerante, na qual especialistas de todo o mundo civilizado trocam informações, formulam teorias ousadas e desenvolvem novas tecnologias. Bem-vindo ao Islã durante a Idade Média - uma cultura que deixava a Europa no chinelo em matéria de ciência. Ainda há debates sobre como os domínios muçulmanos viraram superpotências científicas do século 8 ao século 15 de nossa era, e também sobre as causas de seu declínio superior, mas é indiscutível que eles deram passos fundamentais para alicerçar a ciência que até hoje é praticada no Ocidente.

“Nesse período, floresceu no mundo islâmico uma ciência com contribuições originais em várias áreas do conhecimento, sobretudo em matemática, astronomia e afins, e sem rival durante muitos séculos”, escreve o pesquisador português João Filipe Queiró, do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra. “No milênio a seguir ao século 8 estão identificados mais de mil cientistas islâmicos ativos. Como fontes, conhecem-se milhares de manuscritos e instrumentos científicos, mas muitos mais permanecem ainda hoje por analisar, ou sequer por catalogar”, afirma Queiró.

A explicação inicial para o avanço científico do Islã é militar. Após a morte de Maomé, que consolidou o domínio muçulmano na Arábia no século 7 da Era Cristã, o avanço dos exércitos islâmicos tomou conta de grande parte dos antigos centros de cultura do Velho Mundo, da Índia, no Oriente, às terras gregas do Império Bizantino, chegando até a Espanha, no Ocidente.

Com isso, os guerreiros do Islã se viram senhores de toda a herança cultural e científica dessas áreas. Mas, no lugar de substituí-la por sua própria cultura, eles iniciaram um intenso processo de assimilação, traduzindo para o árabe grande parte do legado dos filósofos, matemáticos e protocientistas gregos e indianos, por exemplo. Acredita-se que muitos textos da Antigüidade grega só sobreviveram porque, quando os cristãos reconquistaram a Espanha muçulmana, retraduziram essas obras do árabe para o latim.

Números práticos
Mais importante ainda, no entanto, foi o papel que o Islã desempenhou na transmissão do sistema numérico indiano, com os algarismos que conhecemos (de 0 a 9), para o Ocidente. Antes, era preciso literalmente usar letras (os numerais romanos ou gregos) para fazer contas, um método incômodo que, além de tudo, não contava com o número 0. Como a matemática tornar-se-ia a base de todo o desenvolvimento da ciência nos séculos seguintes, os pesquisadores muçulmanos podem ser considerados os responsáveis por lançar a pedra fundamental desse processo.

E, falando em “algarismo”, nunca é demais lembrar que a palavra, assim como “algoritmo”, deriva do nome de Mohamed ibn Musa al-Khwarizmi, pesquisador da Era de Ouro islâmica que nasceu no atual Uzbequistão no 780. “Álgebra” também deriva de al-jabr, presente no título de uma das obras de al-Khwarizmi, conta Queiró. “A expressão significa algo como ‘reconstrução’, e refere-se à operação de adicionar uma mesma quantidade a ambos os membros de uma equação”, afirma o pesquisador português.

Fundadores de observatórios astronômicos e universidades, os governantes islâmicos também impulsionaram avanços na astronomia e na cartografia, alguns de natureza prática diretamente ligada à religião muçulmana. “É o caso da determinação, em cada local, da qibla, a direção sagrada de Meca, necessária para as orações e para a orientação das mesquitas. Esse problema é muito interessante do ponto de vista matemático”, escreve Queiró.

A questão é complicadinha porque é preciso levar em conta o formato de esfera da Terra, o que impede que a direção de Meca vista a partir do Brasil, digamos, seja apenas uma linha reta. Usando trigonometria e geometria esférica, os pesquisadores do Islã aprenderam a contornar o problema. No século 16, navegadores portugueses usaram os escritos muçulmanos para corrigir seus cálculos e conseguir viajar do Recife a Lisboa, por exemplo.

Os pesquisadores do Islã também tiveram avanços consideráveis na óptica (foram os primeiros a descrever corretamente o fenômeno da refração, ligado à mudança do comportamento da luz ao passar do ar para a água, por exemplo) e na medicina. Foram pioneiros ao afirmar, por exemplo, que a visão era processada pelo cérebro a partir da luz que chegava até os olhos (antes, achava-se que os olhos ativamente “lançavam raios” até os objetos para enxergá-los).

Por que parou? Parou por quê?
É um bocado difícil explicar por que esse desenvolvimento todo acabou diminuindo a partir do século 16, enquanto o Ocidente avançou. Para o físico americano de origem turca Taner Edis, que trabalha na Truman State University (EUA), a explicação mais provável é que a revolução científica não teria sido completa no Islã. Ele diz que, nos domínios islâmicos, é mais correto falar em “protociência” na Idade Média. “Eles misturavam ciência de verdade com crenças um bocado esquisitas em alquimia, por exemplo”, disse Edis à revista eletrônica Salon.

Para ele, o que faltou foi a separação total entre instituições religiosas e científicas no mundo muçulmano, que deu liberdade de pesquisa para os cientistas do Ocidente. O debate entre os especialistas sobre o tema, no entanto, ainda prossegue.
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