quinta-feira, 28 de maio de 2009

Achado arqueológico sugere que lepra surgiu na Índia há cerca de 4.000 anos

Pesquisadores debatiam se origem da doença era asiática ou africana. Apesar de fácil detecção e cura, moléstia ainda persiste no mundo.

Luis Fernando Correia

Apesar de a hanseníase, mais conhecida como lepra, conviver com o homem desde a Antiguidade, sua origem ainda é motivo de disputa. Estudos genéticos apontavam para o sul da Ásia ou leste da África como berço do germe causador da doença.

Pesquisadores americanos, trabalhando em colaboração com colegas indianos, fizeram uma descoberta que pode resolver a questão. Foi descoberto um esqueleto do segundo milênio antes de Cristo, no estado do Rajastão (Índia), com sinais característicos da lepra. Até hoje as evidências arqueológicas colocavam o caso mais antigo no Usbequistão, datado de mil anos antes de Cristo.

O esqueleto descoberto na Índia pertenceu a um homem de meia idade que apresentava alterações na face, articulações e ossos das pernas e braços típicas da lepra. Mesmo quando foram testadas outras hipótese diagnósticas, essas não foram confirmadas. Os testes para determinação da idade da ossada colocaram nosso paciente vivendo há mais de 4 mil anos.

A lepra é uma doença causada por um germe chamado de Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele a os nervos. A doença tem tratamento eficiente com medicamentos baratos e em seis meses o paciente está curado. O diagnóstico é simples e agentes comunitários podem ser treinados para encaminhar casos suspeitos ao sistema de saúde.

Apesar de tudo isso, cerca de 250 mil pessoas em todo o mundo ainda têm lepra. O Brasil está entre os 9 países responsáveis por 75% dos casos do mundo. O Ministério da Saúde brasileiro registrou, em 2006, 100 mil pacientes de lepra. Diante disso tudo, fica evidente a incapacidade humana em lidar com as doenças, mesmo as conhecidas há muito tempo.

Luis Fernando Correia é médico e apresentador do "Saúde em Foco", da CBN.

Múmias de Leymebamba são exemplo da tecnologia chachapoya

Bom Dia mostra o patrimônio histórico na Amazônia Peruana. As múmias de Leymebamba contam o passado dos primeiros habitantes da América do Sul


JOSÉ RAIMUNDO, SANDRO QUEIROZ e ODAIR REDONDO Leymebamba, Peru



Bucólica, de gente simples e de uma riqueza incalculável, Leymebamba é guardiã de um tesouro. Em um museu, um impressionante acervo atrai os olhos do mundo. O homem contemporâneo reuniu um dos maiores achados da história sobre o homem primitivo das Américas. Nenhum outro lugar concentra tanta informação sobre os povos chachapoyas e incas.

Para entrar na sala, nós precisamos pedir, insistir, mas conseguimos uma autorização especial. Lá está guardado um patrimônio arqueológico dos mais importantes das Américas: as múmias encontradas em uma das montanhas de Leymebamba. São 230 múmias. Algumas de autoridades, segundo a arqueóloga Sonia Guillén, diretora do museu. Havia uma hierarquia. Quem representava os deuses, ou exercia algum poder, merecia túmulos melhores. As pesquisas ainda são limitadas, ela diz. Mas já é possível saber, por exemplo, que a tuberculose matava muita gente naquela época. Sônia, nos mostra a múmia de uma jovem, de uns 13 anos. Pela expressão, ela teria morrido de um golpe violento, talvez um sacrifício de ritual religioso. A posição fetal simboliza a volta ao ventre para o recomeço da vida.

Há imagens gravadas durante o resgate, há dez anos, na laguna de Los Condores, região de acesso difícil, onde o cavalo é o único meio de transporte. As múmias estavam bem escondidas, a quase três mil metros de altura. A operação para transportar achados tão valiosos foi delicada e durou várias semanas. A tecnologia dos chachapoyas é o lado mais surpreendente da história, diz a arqueóloga. Até hoje, ninguém conseguiu desvendar esse mistério. Talvez tenham desenvolvido algum produto de conservação à base de ervas e plantas da floresta. A única certeza é que, há 1,2 mil anos mais ou menos, além de dominar a tecnologia da mumificação, o homem desta região da Amazônia sabia preservar a sua própria história, respeitando a natureza.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Penhascos abrigam 'cidade dos mortos' na Amazônia peruana

Nos paredões de uma Amazônia quase desconhecida, no norte do Peru, as montanhas servem de morada para quem já partiu deste mundo. Pequenas casinhas marcam uma das cidades dos mortos, herança do povo que antecedeu os incas, a civilização chachapoya.



Para chegar até o sítio arqueológico, o caminho é duro de encarar. Só se chega a pé. A cidade fica a 2,9 mil metros de altitude: são três horas de caminhada exaustiva. Quando a subida acaba, começa o trecho mais perigoso. A trilha passa a um palmo do abismo. Todo cuidado é pouco. Qualquer escorregada pode levar o aventureiro a pedir abrigo em curiosos túmulos históricos. Para os chachapoyas, os mortos eram tratados com os mesmos privilégios que mereciam os vivos, às vezes, até mais, dizem os pesquisadores. Eram abrigados em casas de até dois andares. Tudo para proteger os corpos e as múmias da chuva e principalmente dos inimigos. Dentro das casas, não dá para ver muita coisa além dos cômodos vazios. É como se a cidade dos mortos estivesse desabitada. Na verdade, ela foi saqueada ao longo dos tempos. Os cadáveres eram levados para lá, com todos os seus objetos pessoais, inclusive joias. Perto dali ficam os sarcófagos de Carajya, um dos cartões-postais da Amazônia peruana. Lá, no alto da rocha, bem na vertical, que os povos chachapoyas e incas guardavam seus mortos. “Dominavam muito bem o equilíbrio, e não só isso, era uma questão de sabedoria”, diz a pesquisadora Hildegard de Leon. Equilíbrio é a palavra-chave, diz a pesquisadora. Não apenas para escalar o paredão, mas também para viver em harmonia com a natureza. Um desafio e tanto. Os rituais levavam meses até deixar o cadáver de cara para o leste, bem em frente à nascente do sol. Em nenhum outro lugar do mundo se encontra essa forma de enterro. Cada família ocupava seu sarcófago e o herói da aldeia tinha seu crânio exibido como se fosse um troféu. Com óxido de ferro, pintavam os símbolos da civilização no rosto da urna. “Morrer não era o fim da vida", aponta a pesquisadora Hildegard de Leon.



Tradições preservadas
A morte era só uma passagem para outra vida. Lá pelo século 12, os chachapoyas já defendiam essa crença. Formaram uma legião de seguidores, que até hoje, tratam quem já se foi como se ainda estivesse entre nós. É o que ocorre na cidade de Luya, que fica no centro do estado do Amazonas peruano. Os moradores fazem festa na casa dos mortos. Ao contrário de nós, brasileiros, que rezamos em silêncio quando lembramos dos parentes e dos amigos que já se foram, os mortos de lá são visitados no cemitério com música e banquete.

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem relatos interessantes sobre a história da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail mailto:globoamazonia@globo.com. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível fotos ou vídeos.

Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

terça-feira, 26 de maio de 2009

Entre Amazônia e Andes, ruínas revelam civilização anterior aos incas

No topo da cordilheira, uma muralha de pedra talhada dá a dimensão de uma das primeiras cidades das Américas. Com 30 metros de altura e 600 de comprimento, ela foi erguida no século XII para proteger o povo chacapoya, que habitava a região muito antes dos incas. Visite o site do Bom Dia Brasil Hoje, restam ruínas das 420 casas que formavam as ruas da comunidade. Nas residências maiores, moravam entre seis e oito pessoas. Na cozinha, dizem os pesquisadores, o trigo e o milho eram moídos em pedras. As roupas e objetos pessoais eram guardados em buracos nas paredes, parecidos com armários embutidos – uma prova de que muito antes da descoberta, as civilizações que ocupavam as Américas já eram organizadas. A curiosa forma circular das casas tinha um sentido muito mais nobre do que um capricho arquitetônico. "Círculo não tem início, nem fim, é uma cultura eterna", explica a pesquisadora Hildegard de Leon. Para os historiadores, o padrão arredondado permitia mais integração. As pessoas viviam em permanente reciprocidade. “Toda a organização social, política e econômica era muito bem estabelecida", diz o arqueólogo Julio Rodrigues. Ainda se sabe muito pouco sobre as ruínas, diz o arqueólogo. Ele comanda uma pesquisa que depende de um cuidadoso trabalho braçal. As escavações já desenterraram cerâmicas, crânios, vestígios de um passado que deixou poucos registros na história. Um dos desafios é descobrir como desapareceram os moradores deste lugar.

Cidade habitada
La Jalca, uma cidadezinha meio esquecida em um dos pontos mais altos da Amazônia, também guarda um monumento precioso. Aqui, chachapoyas e incas tentaram, mas não conseguiram, resistir à invasão dos conquistadores espanhóis. Depois da conquista, veio o abandono. Os espanhóis não suportaram o clima, de muita chuva e o frio de três mil metros de altitude, e abandonaram La Jalca. Mas deixaram uma herança que hoje ainda é considerada um dos patrimônios mais importantes do norte do Peru: uma igreja do século 16, construída pela tecnologia chachapoya, com pedra sobre pedra. O padre Diego Garcia nos mostra na parede que os católicos mais antigos da Amazônia não cultuavam os santos, e sim os animais. Três espécies eram respeitadas com devoção. "A serpente, os primatas e os felinos", mostra o padre. Mais uma curiosidade da igreja: a torre. Fica do outro lado da rua, fora da nave. O historiador Peter Thomas, depois de 30 anos de pesquisa descobriu os motivos: "Havia uma igreja ao lado, que não existe mais. A torre servia para ambas. Era também ponto de observação e vigilância”.

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem relatos interessantes sobre a história da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se possível fotos ou vídeos.

Do Globo Amazônia, com informações do Bom Dia Brasil

domingo, 24 de maio de 2009

Faraós construiram fortificações no Sinai


Os arqueólogos descobriram no Egito uma antiga base militar feita de tijolos de lama e conchas do mar. Uma descoberta surpreendente no deserto do Sinai, que data da época faraônica. Um forte militar às portas do antigo Egito.

Euronews.pt

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Enciclopédia usa artefatos arqueológicos para recriar mundo da Bíblia

As histórias bíblicas sobre David e Golias, a destruição de Jerusalém e a crucificação de Jesus costumam chegar até nós debaixo do filtro de milênios de tradição artística, tendo sido recriadas em quadros, esculturas e filmes de todas as épocas e lugares. O livro "Enciclopédia da Bíblia", que acaba de ser lançado no Brasil, é um antídoto bem-vindo a esse peso da tradição, ajudando o leitor a ver o universo bíblico de forma mais direta, através da lente da arqueologia e da reconstrução acadêmica moderna.

Graças aos inúmeros achados arqueológicos ao longo do último século, dá para reconstruir com razoável grau de precisão as muralhas azuis da Babilônia ou o portão da cidade israelita de Magedo (o suposto local do Armageddon, segundo a tradição bíblica) na época do rei Salomão. Uma inscrição deixada pelo próprio Pôncio Pilatos, prefeito romano da Judeia responsável por condenar Jesus à morte, ou o ossuário (caixão feito para abrigar apenas os ossos) de José Caifás, sumo sacerdote judeu que teria sido opositor do Nazareno, ajudam a trazer o leitor moderno a apenas alguns graus de separação desses personagens de 2.000 anos atrás. (Infelizmente, evidências arqueológicas diretas da vida de Jesus ainda não vieram à tona.)

Mas talvez o mais fascinante dessa grande quantidade de novos dados sobre o mundo bíblico seja a janela que ela abre sobre a vida cotidiana de pessoas anônimas de milhares de anos atrás. As páginas da enciclopédia estão cheias desses pequenos detalhes que fazem a diferença: um calendário dos antigos israelitas escrito em forma de verso; a coleção de jóias de uma cananeia morta há 3.300 anos; moedas da época de Herodes que certamente passaram de mão em mão no mercado; o sinete (espécie de carimbo identificador para selar documentos) usado por um escravo do rei de Judá; um jarro de vinho que leva a identificação do dono e talvez até uma designação de origem.

Usando esses numerosos subsídios, os autores da obra reconstroem o culto religioso no Templo de Jerusalém, os casamentos e nascimentos de filhos no antigo Israel, a agricultura, o comércio e a guerra. Há descrições sucintas e precisas do conteúdo dos livros bíblicos e até uma bela seção sobre a fauna e a flora da Terra Santa na Antiguidade. (Você sabia, por exemplo, que o bicho chamado de coelho em algumas tradução da Bíblia na verdade é um hírax, pequeno parente dos elefantes que mais parece um roedor?)

O grande senão nesse guia agradável e conciso do mundo bíblico é a perspectiva diretamente religiosa em certos pontos. Os autores aceitam de forma mais ou menos acrítica, como dado histórico, as narrativas sobre o Êxodo, a conquista da Terra Santa e o templo de Salomão, sem mencionar as grandes dúvidas sobre a confiabilidade histórica desses relatos. Teria sido melhor relatar ao leitor o que a narrativa bíblica diz sobre esses fatos e, ao mesmo tempo, lembrar o que a pesquisa histórica revela sobre eles.

Enciclopédia da Bíblia
John Drane (org.)
Paulinas e Edições Loyola
320 págs.
R$ 120,00
G1

Fósseis de herbívoros gigantes em rio argentino


A seca inesperada do rio Salado, no norte da Argentina, revelou verdadeiros tesouros fósseis. Os residentes de Roque Perez, a 135 quilómetros de Buenos Aires encontraram ossadas de gigantes armadilhos e os investigadores estão agora a analisar os achados que não param de se “reproduzir” nas margens secas do rio.

Euronews.pt
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